Um pai de santo de Araci, no interior da Bahia, está sendo investigado pela Polícia Civil após quatro fiéis denunciarem agressões durante rituais religiosos. Luiz Nascimento dos Santos, conhecido como Luiz Curador, é acusado de queimar vítimas com ferro quente e charutos acesos, além de mantê-las confinadas por dias em condições precárias.
As denúncias foram registradas no dia 30 de abril. As vítimas passaram por exames de lesão corporal em Serrinha. Segundo os relatos, as queimaduras eram justificadas pelo religioso como parte de uma preparação espiritual para se tornarem babalorixás.
Uma das vítimas contou que ficou três dias e meio trancada em um quarto escuro e foi marcada com um ferro quente retirado da brasa de um raio de moto. O religioso teria orientado que não usasse nenhum medicamento para que as feridas sarassem naturalmente. “Foi dor, queimação, tudo. Porque é ferro quente”, descreveu.
Outra fiel relatou ter sido marcada com a brasa de um charuto durante uma oferenda para Ogum. “Na hora eu fiquei gelada, as pernas começaram a tremer”, disse.
Os denunciantes afirmam ainda que eram obrigados a permanecer recolhidos em quartos sem condições de higiene, fazendo necessidades em baldes e bebendo água servida em esteiras com folhas.
A Federação de Umbanda e Cultos Afro da Região de Serrinha (Fucabase) repudiou as práticas. O presidente Michel Barreto afirmou que queimar fiéis com ferro quente não faz parte das religiões de matriz africana e remete a maus-tratos da época da escravidão. A entidade deve pedir o afastamento do pai de santo e classifica os atos como crime de tortura.
A Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA) também se posicionou contra o caso, afirmando que tais rituais não são aceitos em nenhuma casa religiosa.
Em nota, filhos e filhas de santo do Terreiro de Oxóssi negaram as acusações. Eles classificaram as denúncias como infundadas e fruto de perseguição religiosa, garantindo que ninguém foi obrigado a participar de qualquer prática.
A Delegacia Territorial de Araci investiga o caso como lesão corporal dolosa. Oitivas continuam sendo realizadas para esclarecer os fatos. A defesa de Luiz Nascimento dos Santos não foi localizada para comentar as acusações.
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