A Polícia Federal adiantou uma operação contra suspeitos de lavagem de dinheiro do tráfico internacional após o anúncio de sanções do governo dos Estados Unidos na última quarta-feira (1º). A medida acabou prejudicando a ação, que tinha como principal alvo o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como ligado ao PCC.
Shimada, que também foi sancionado pelos americanos, é considerado foragido. A PF ainda confirmava a localização exata de alguns investigados quando a decisão de Washington foi divulgada, o que forçou a antecipação da Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3).
Durante café da manhã com jornalistas após a ação, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, lamentou o desfecho. “Se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e a gente teria localizado essa pessoa”, afirmou. Ele classificou como “erro grosseiro tecnicamente” a decisão americana de tratar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Na operação, os agentes prenderam Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária do empresário. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 10,4 bilhões.
A investigação aponta que o grupo mantinha uma estrutura sofisticada para movimentar recursos ilícitos, com uso de transferências bancárias de alto valor, criptomoedas e dinheiro em espécie. A representação policial foi enviada à Justiça em março e a decisão judicial saiu em junho. A PF planejava agir apenas após confirmar todas as localizações, mas o anúncio americano mudou o cronograma.
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