Carballal vira réu na Justiça por improbidade e pode perder mandato e ter direitos políticos suspensos

TJ-BA acatou denúncia do Ministério Público contra vereador; Juiz vê “graves indícios” de ato de improbidade e de natureza criminal
Por: Brado Jornal 05.jul.2022 às 06h29
Carballal vira réu na Justiça por improbidade e pode perder mandato e ter direitos políticos suspensos

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) aceitou uma denúncia do Ministério Público estadual (MP-BA) e tornou réu por improbidade administrativa o vereador de Salvador Henrique Carballal (PDT). De acordo com a denúncia, Carballal teria usado a estrutura da administração pública e servidores municipais em evento de cunho político-eleitoral que “visava angariar apoio popular com uma suposta prestação de serviços de utilidade social gratuito, à margem do Sistema Único de Saúde (SUS)”. Caso seja condenado, Carballal pode perder o mandato e ter os direitos políticos suspensos, além do pagamento de multa. 


Ao acatar a denúncia do MP-BA, o juiz Ruy Eduardo Almeida Britto diz haver na peça acusatória “graves indícios” de ato de improbidade e de natureza criminal, a exemplo de suposta falsidade ideológica. “Os elementos submetidos à apreciação judicial conduzem à identificação dos referidos indícios, alguns com viés criminal, à exemplo, de suposta falsidade ideológica, cuja responsabilização dependerá da oportunidade de cognição a ser desenvolvida naquele feito”, diz um trecho da decisão do magistrado, publicada nesta segunda-feira (4). Caso seja comprovado o crime de falsidade ideológica, a pena de prisão pode ser de até cinco anos. 


Na ação civil, o MP-BA entendeu que houve utilização de recursos públicos, inclusive com uso de pessoa falsamente apresentada como médico específico, para fins meramente políticos e eleitorais, numa rede que envolve vereadores e parlamentares estaduais, “com o apoio de cabos eleitorais, em comunidades ditas carentes da cidade, para a execução de tais ‘feiras de saúde’, à margem de qualquer autorização ou controle público, com o objetivo de captar apoio eleitoral para as disputas eleitorais”.


“Evidenciou-se que houve uma concertação de ações e desígnios, envolvendo questões de ligações político-eleitorais, de facilitação de acesso a cargos públicos e de utilização de recursos da administração pública municipal para a consecução de proveitos alheios ao interesse público, inclusive com a utilização de pessoa distinta do profissional de saúde (médico) supostamente presente ao evento promovido pelo primeiro acionado (Carballal)”, diz trecho da acusação. 


O MP-BA diz que Carballal e os demais acusados infringiram o artigo 37 da Constituição Federal (CF), que trata dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Além disso, descumpriram os artigos 4º, 10 e 11 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA). A denúncia foi feita em 2016 e é assinada pelos promotores de Justiça Adriano Assis e Célia Boaventura.  


A denúncia

O caso denunciado pelo Ministério Público aconteceu em 2013, quando Carballal ainda era filiado ao PT. De acordo com a acusação, ele promoveu um atendimento médico e odontológico móvel aberto na comunidade de Adutora, localizada no bairro de São Cristóvão, iniciativa considerada pelo MP-BA de “cunho político-eleitoral que visava angariar apoio popular por uma suposta prestação de serviços de utilidade social gratuito”. 


A estrutura para a realização dos atendimentos contava com um ônibus adaptado para uma estrutura de consultório, onde as pessoas eram recebidas. No veículo, havia uma plotagem com o termo “Expresso Saúde”. O ônibus, continua a denúncia, era de propriedade de Cirilo José Muniz Filho, irmão do vereador Carlos Muniz (PTB). 


Na preparação do evento, incluindo mobilização de pessoas, organização e execução do atendimento ao público, Carballal contou com a colaboração de três pessoas, que também foram denunciadas pelo MP-BA na mesma ação civil. Os três eram agentes de endemias na época do ocorrido. Um deles era, também, liderança comunitária e tinha uma filha nomeada como assessora parlamentar no gabinete do vereador. 


“No presente caso, as ações e omissões dolosas dos acionados acima citados redundaram em prejuízos à administração municipal, inclusive de ordem financeira. Com efeito, deixaram de prestar serviços relativos às suas funções, em que pese a percepção natural dos vencimentos relativos ao dia de trabalho não laborado, oportunidade em que se dedicaram ao evento patrocinado pelo acionado Henrique (Carballal)”, diz a denúncia. 


Os promotores ainda dizem que o cargo de vereador impunha a Carballal “render obediência estrita às leis, de modo que, a cada ato, expressasse a legitimidade substantiva que deve decorrer daquela formal que recebe ao ser nomeado, o que, infelizmente, não ocorreu”.


Eles continuam ressaltando que a utilização de recursos públicos, de falso médico, a indução à coletividade de que se trataria de atendimento legitimado pela administração municipal mancham a imagem da administração municipal, “representando sérios prejuízos de natureza moral aos valores constitucionalmente impostos a toda e qualquer ação administrativa”. 


Por fim, pedem a condenação de Carballal e dos três acusados. Os promotores solicitam o ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil proporcional ao dano e ao valor da remuneração percebida pelo agente público dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Kataguiri requer quebra de sigilo de Moraes e Viviane
Deputado da CPMI do INSS quer investigar repasses milionários ao escritório da esposa do ministro do STF e eventual ligação patrimonial com o casal
Maurício Marcon dá desculpa esfarrapada ao tentar justificar voto favorável à lei da Misoginia
Deputado federal publica vídeo defendendo posicionamento sobre o PL da Misoginia e alega risco de acusações da esquerda
Deputado baiano é alvo de representação do MBL por proposta contra israelenses
Movimento aciona Ministério Público alegando incitação ao preconceito e discriminação.
Celso Vilardi agora defende Zettel em meio a tratativas de delação
Criminalista com histórico na Lava-Jato e na defesa de Jair Bolsonaro assume o caso do operador financeiro ligado a Daniel Vorcaro
Lula lidera primeiro turno contra Flávio Bolsonaro em pesquisa Atlas
Renan Santos aparece em terceiro lugar com 4,4% das intenções de voto
Lula se equivoca ao falar de crime organizado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva comete lapso verbal ao afirmar que Brasil será um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado durante cerimônia de sanção do PL Antifacção; Secom corrige e esclarece que a real intenção era destacar o combate à criminalidade
Carregando..