Janones usava cartão de ex-assessor, não pagava faturas e pedia reembolso à Câmara, diz PF

A PF informou que todas as outras despesas do cartão em nome do deputado foram quitadas pela conta bancária do ex-assessor
Por: Brado Jornal 13.set.2024 às 09h45
Janones usava cartão de ex-assessor, não pagava faturas e pedia reembolso à Câmara, diz PF
Tomaz Silva/Agência Brasil

No relatório que levou ao indiciamento de André Janones (Avante-MG) por corrupção passiva, peculato e associação criminosa devido à suposta prática de “rachadinha”, a Polícia Federal (PF) revelou que o deputado federal utilizava o cartão de crédito de um ex-assessor para despesas pessoais, sem quitar as faturas.

A investigação descobriu que Janones teria gasto R$ 100,5 mil com um cartão de crédito adicional solicitado pelo ex-assessor. Embora o cartão estivesse em nome de Janones, as despesas eram debitadas na conta bancária do ex-funcionário.

A PF informou que todas as outras despesas do cartão em nome do deputado foram quitadas pela conta bancária do ex-assessor.

O relatório da PF inclui uma tabela detalhando os principais gastos do cartão. Entre as despesas, destacam-se pouco mais de R$ 25 mil em móveis e eletrodomésticos e R$ 12,2 mil em vestuário.

Além desses, foram identificados gastos com hospedagem, farmácia, restaurantes, funerárias, assinaturas, combustível, estética e academia, totalizando os R$ 100,5 mil.

A PF constatou que o ex-assessor pagou quase todas as faturas do cartão, com exceção de uma, e que Janones não reembolsava o ex-funcionário.

Além disso, o parlamentar recebia ressarcimento da Câmara dos Deputados por alguns dos gastos com o cartão, mas não repassava o valor ao ex-assessor.

O relatório da PF destaca que, além de usar o dinheiro do ex-assessor para cobrir despesas pessoais, Janones solicitava o ressarcimento desses gastos à Câmara dos Deputados, obtendo assim um benefício financeiro ilícito.

A investigação também revelou que, além do cartão adicional, Janones utilizava outro cartão do ex-assessor. A PF encontrou evidências de que cartões em nome do ex-assessor eram usados em datas e locais distintos, sugerindo que pelo menos um deles estava em posse de uma terceira pessoa.



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