“Quatro linhas é o c*ralho”: confira trechos das conversas dos investigados em operação da PF

Operação da Polícia Federal que prendeu suspeitos de planejar morte de autoridades traz diálogos entre os investigados
Por: Brado Jornal 20.nov.2024 às 10h03 - Atualizado: 20.nov.2024 às 10h06
“Quatro linhas é o c*ralho”: confira trechos das conversas dos investigados em operação da PF
Rafa Neddemeyer/Agência Brasil

A investigação da Polícia Federal (PF) que desvendou um plano para assassinar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Alexandre de Moraes revelou uma série de conversas trocadas entre os suspeitos.

Na terça-feira (19), a PF prendeu cinco indivíduos na Operação Contragolpe. Entre os detidos está o general da reserva Mario Fernandes, apontado como o principal responsável pela elaboração do plano para executar as autoridades.

O relatório da PF que embasou a operação de ontem traz as transcrições de conversas a respeito do plano. Veja abaixo alguns destaques:

“Quatro linhas é o c*ralho”, disse coronel

Em diálogo entre Fernandes e o coronel Reginaldo Vieira de Abreu, que atuou como chefe de gabinete do general da reserva na Secretaria-Geral da Presidência da República, esse faz referência a uma frase comumente dita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre as “quatro linhas da Constituição” — ou os limites da legalidade.

Reginaldo, conhecido como Velame, diz no dia 5 de novembro de 2022: “O senhor me desculpe a expressão, mas quatro linhas é o caralho. Quatro linhas da Constituição é o caceta. Nós estamos em guerra, eles estão vencendo, está quase acabando e eles não deram um tiro por incompetência nossa. Incompetência nossa, é isso. Estamos igual o sapo, a história do sapo na água quente. Você coloca o sapo na água quente, ele não sente a temperatura da água mudar e vai se aumentando, aumentando, aumentando quando vê ele tá morto. É isso.””


“Vamos pro vale tudo”, afirmou contato

Em conversa no dia 4 de novembro de 2022 entre Fernandes e um contato identificado pela PF como Helio Osorio Coelho, o interlocutor fala ao general da reserva em “ir pra guerra” e diz estar “pronto a morrer” para garantir o que ele garante ser a “liberdade” do país.

Helio Osorio Coelho: “General, eu, eu, Hélio Coelho, cara, desculpa até falar isso, né? Chamar de cara, mas é pela amizade que a gente tem. Olha, general, eu sou capaz de morrer, cara, pelo meu país, sabia? Pelo meu presidente, cara. Sou capaz de morrer por essa nação. A ter que viver sob julgo de bandidos criminosos, entendeu? Comunistas. Eu sou capaz de morrer, cara, por essa nação. Senhor pode ter certeza disso. Não só eu, mas milhares e milhares de pessoas, entendeu? Eu não consigo vislumbrar, né, meus sobrinhos, né, minhas sobrinhas, os filhos pequenos de meus amigos, das minhas amigas, ficando sob o julgo desse vagabundo. Não consigo imaginar. Eu prefiro ir pra guerra. Eu prefiro ir pro campo de batalha, entendeu? Viver a pátria livre ou morrer pelo Brasil, entendeu? Aprendi isso na caserna. Honrar a minha bandeira. Honrar o meu presidente. Então, eu tô pedindo a Deus pra que o presidente tome uma ação enérgica e vamos, sim, pro vale tudo. E eu tô pronto a morrer por isso. Porque o que adianta viver sem honra? O que adianta andar na rua de cabeça baixa e não poder bater no peito que um dia eu lutei pela liberdade.”


Fonte: Lucas Schroeder, Elijonas Maia, Luísa Martins e Teo Cury/CNN



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