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Encontro de Bolsonaro com João e Roberta Roma evidencia que o ex-presidente compactua com as alianças do casal com a esquerda na Bahia

Postagem nas redes sociais do casal Roma expõe a relação entre o ex-presidente e os políticos baianos, evidenciando a tolerância do bolsonarismo com alianças à esquerda
Por: Lorran Lima 04.fev.2025 às 16h14 - Atualizado: 04.fev.2025 às 16h19
Encontro de Bolsonaro com João e Roberta Roma evidencia que o ex-presidente compactua com as alianças do casal com a esquerda na Bahia
Reprodução/Instagram

O recente encontro entre o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), sua esposa, a deputada federal Roberta Roma (PL-BA), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) evidenciou um fato incontestável: Bolsonaro não só tem pleno conhecimento das movimentações políticas de João Roma na Bahia, como aparenta compactuar com suas alianças, inclusive com setores da esquerda no estado.

As imagens do encontro foram publicadas pelo próprio casal Roma em suas redes sociais, mostrando momentos descontraídos ao lado de Bolsonaro. A postagem gerou repercussão e trouxe novamente ao debate as contradições políticas do casal e a postura dúbia do ex-presidente.

Apesar de Roma tentar se apresentar como um defensor de pautas conservadoras, sua trajetória política na Bahia conta com alianças e diálogos pragmáticos com figuras e partidos tradicionalmente ligados à esquerda. Essa postura contrasta com o discurso nacional que busca se posicionar como oposição ao PT e ao progressismo. A verdade é que João Roma nunca foi um político genuinamente de direita — sua prática política é marcada por uma flexibilidade ideológica conveniente para sobreviver no cenário baiano. Além disso, João Roma mantém dentro do PL deputados ligados à esquerda, como Vitor Azevedo e Raimundinho da JR, que fazem parte da base de apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Bolsonaro, ao posar para fotos e reforçar laços com João e Roberta Roma, escancara sua própria contradição. Embora se mantenha como um ícone do conservadorismo para muitos eleitores, o ex-presidente tem adotado uma postura cada vez mais complacente com alianças políticas que envolvem nomes de partidos e grupos da esquerda em âmbito nacional. Os casos do senador Davi Alcolumbre (União-AP) e do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ambos alinhados com interesses políticos opostos ao bolsonarismo clássico, são exemplos claros dessa flexibilização.

O gesto de Bolsonaro ao receber o casal Roma indica que sua luta contra o "sistema" tem limites bastante maleáveis quando se trata de manter aliados, mesmo que isso signifique se aproximar de figuras antes consideradas adversárias. Para muitos apoiadores que esperavam uma postura intransigente contra qualquer tipo de aliança com a esquerda, essa estratégia pode soar como uma traição aos ideais conservadores.

A família Roma, por sua vez, segue navegando nesse jogo duplo, buscando reforçar sua posição em Brasília com o apoio do bolsonarismo enquanto, na Bahia, se mantém em composições políticas flexíveis que dialogam com grupos de esquerda. Esse cenário deixa uma pergunta no ar: até quando os eleitores conservadores vão tolerar essa postura contraditória, tanto por parte do ex-presidente quanto de seus aliados?



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