Jaques Wagner nega interferência contra nome de Lula ao STF

Senador petista rebate suspeitas de articulação com oposição e aponta traições internas na rejeição de Messias
Por: Brado Redação 06.mai.2026 às 17h05
Jaques Wagner nega interferência contra nome de Lula ao STF
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), rebateu as críticas que o acusam de ter contribuído para a derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, na indicação para o Supremo Tribunal Federal. Em entrevista concedida da China, onde acompanha a turnê internacional da Orquestra Neojiba, o senador baiano afirmou que cumpriu integralmente sua função ao levar o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sabatina na Casa.

Wagner explicou que a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já estava desgastada desde a escolha de Messias. Segundo ele, Alcolumbre defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco para a vaga na Corte. O petista reforçou que não interfere nas decisões do presidente, com quem mantém longa amizade de quase cinco décadas, e que sua obrigação como líder era apenas conduzir o processo de aprovação.

Durante a votação, uma conversa entre Wagner e Alcolumbre, que vazou e gerou especulações, foi esclarecida pelo senador. Ele relatou ter subido à mesa diretora após a maioria dos aliados já ter votado para pedir a abertura do painel. Alcolumbre previu derrota por oito votos. O resultado final foi 34 favoráveis, sete a menos do que os 41 necessários para aprovação.

O senador também comentou o diálogo mantido com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes da sessão plenária, que viralizou após análise de leitura labial. Wagner defendeu seu estilo de diálogo amplo com todos os setores, inclusive a oposição, como essencial para a democracia. Ele criticou o ambiente atual de polarização extrema, comparando-o a um “ringue” onde prevalece o confronto em vez do debate de ideias.

“Eu converso com todo mundo porque acredito que a democracia depende de diálogo”, justificou. Para ele, a recusa em ouvir o outro lado alimenta divisões perigosas e conflitos no país e no mundo.

Wagner garantiu estar tranquilo com a própria consciência e afirmou ter conversado com Lula sobre o episódio ainda durante a viagem à Ásia. Ele confirmou que permanecerá no comando da liderança governista no Senado, mantendo seu modo habitual de atuação.

Por fim, o senador lamentou as traições registradas no voto secreto e classificou a rejeição de Messias como injusta. “Machucaram um jovem preparado, de reputação ilibada, por causa de uma briga política pré-eleitoral”, disse, demonstrando tristeza com o desfecho do caso.

A rejeição de Jorge Messias representa mais um capítulo de tensão entre o Planalto e o Congresso, expondo fragilidades nas articulações políticas do governo federal.



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