"Oposição" convoca manifestação no Rio, mas evita pedir impeachment de Lula

A ausência de um pedido explícito de impeachment levanta questionamentos sobre os reais interesses por trás do movimento.
Por: Brado Jornal 10.mar.2025 às 05h42

Um vídeo divulgado pela oposição ao PT no Brasil tem chamado a atenção pela convocação de uma manifestação no Rio de Janeiro no dia 16 de março, mas sem defender explicitamente o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou levantar a bandeira do “Fora, Lula”. Entre as figuras que protagonizam o apelo estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

No vídeo, Flávio Bolsonaro declara: “Centenas de presos e perseguidos políticos, mais do que nunca, precisam de todos nós”. O tom adotado na convocação contrasta com manifestações anteriores da base bolsonarista, que costumavam ser mais incisivas na oposição ao governo Lula. Dessa vez, a ênfase recai sobre injustiças contra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem tocar na questão central da permanência de Lula no cargo.

A ausência de um pedido explícito de impeachment levanta questionamentos sobre os reais interesses por trás do movimento. Até o dia 23 de janeiro deste ano, Jair Bolsonaro manifestava publicamente sua defesa do impeachment de Lula. No entanto, após um almoço com Gilberto Kassab, presidente do PSD e atual secretário de governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo, sua postura mudou radicalmente. O ex-presidente passou a adotar um discurso mais moderado, o que gerou insatisfação entre seus apoiadores mais ferrenhos.

Esse movimento político pode ser interpretado como resultado de um acordo entre Bolsonaro e Kassab, que, por sua vez, possui influência significativa sobre o cenário político nacional. O pragmatismo do ex-presidente, que parece estar priorizando articulações nos bastidores em detrimento de uma oposição frontal ao governo petista, tem causado descontentamento dentro do próprio bolsonarismo. Muitos esperavam uma postura mais combativa, especialmente diante do agravamento da crise econômica que atinge o país.

A manifestação do dia 16, portanto, se apresenta como um evento político carregado de contradições. Embora convocada por figuras da oposição, a ausência de um posicionamento firme contra Lula e a falta de um chamado pelo impeachment demonstram que há interesses em jogo além da simples mobilização popular. Se por um lado a base bolsonarista deseja pressionar o governo, por outro, a liderança política do movimento parece seguir um roteiro mais cauteloso, provavelmente para não comprometer alianças futuras.

Resta saber como a militância bolsonarista reagirá a esse novo direcionamento e se a manifestação conseguirá manter o engajamento popular sem uma bandeira mais clara contra o governo Lula.



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