PT aproveita isolamento do PL e articula Lira para Agricultura

Petistas querem aproveitar momento para reforçar aliança com o Centrão e fortalecer base no agronegócio
Por: Brado Jornal 07.abr.2025 às 10h13
PT aproveita isolamento do PL e articula Lira para Agricultura
Joédson Alves/Agência Brasil

O Partido dos Trabalhadores (PT) avalia que o PL, de Jair Bolsonaro, ficou isolado na Câmara após tentar obstruir a votação do Projeto de Lei da Reciprocidade, que beneficia o agronegócio e fortalece o governo na disputa comercial com os Estados Unidos. Diante desse cenário, lideranças petistas voltaram a defender a indicação do deputado Arthur Lira (PP-AL) para o Ministério da Agricultura.  

A estratégia do PL de obstrução – que consiste em não marcar presença no plenário e apresentar requerimentos para impedir votações – foi utilizada pelo partido pelo segundo turno consecutivo, como forma de pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. No entanto, líderes partidários indicam que a manobra não teve adesão e deve continuar enfraquecida nas próximas semanas.  

Com o PL isolado, o PT vê uma oportunidade para estreitar relações com o Centrão, especialmente com a chamada "bancada do boi", que reúne parlamentares ligados ao agronegócio. A aprovação do PL da Reciprocidade fortaleceu essa aliança, já que a proposta protege o setor agropecuário das restrições comerciais impostas pela União Europeia.  

Nesse contexto, petistas passaram a defender a nomeação de Arthur Lira para o Ministério da Agricultura, como forma de consolidar o apoio do Centrão ao governo e minimizar atritos com o setor. O atual ministro, Carlos Fávaro (PSD), enfrenta críticas e sua permanência na pasta é questionada por congressistas.  

Lira, que presidiu a Câmara e mantém influência sobre o Centrão, é visto como um nome capaz de pacificar as relações entre o Planalto e o agronegócio. A bancada do setor, que vinha buscando interlocução direta com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para resolver impasses como o Plano Safra, pode ver na nomeação do ex-presidente da Câmara um sinal de compromisso do governo com suas demandas.  

Nos bastidores, a possível reforma ministerial que incluiria Lira ainda depende de negociações, mas o movimento reforça o esforço do governo Lula para ampliar sua base no Congresso e garantir mais estabilidade política.



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