Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou ministros e aliados a convencer o senador Jaques Wagner (PT-BA) a deixar a liderança do governo no Senado. A ação reflete a avaliação do Planalto de que a permanência dele na função tornou-se incompatível com as investigações recentes da Polícia Federal.
Fontes próximas a Lula afirmam que o mandatário não pretende demiti-lo diretamente. A preferência é que Wagner apresente o pedido de renúncia por iniciativa própria, alegando necessidade de se dedicar à defesa pessoal. A expectativa dentro do governo é que o anúncio ocorra ainda nesta sexta-feira (19) ou, no máximo, até segunda-feira (22).
A articulação ganhou intensidade após nova fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Os alvos incluíram endereços ligados a Wagner, ao empresário Augusto Lima, a um hotel em Brasília onde o senador mora e a propriedades relacionadas ao enteado dele, Eduardo Sodré Martins, e à esposa de Martins, Bonnie Bonilha.
Durante o dia, Lula conversou duas vezes por telefone com Wagner. Assessores relatam que as ligações tiveram tom de apoio pessoal, mas o abalo emocional do senador impediu conversas sobre sucessão na liderança. Ministros interpretam os contatos como sinal de solidariedade, sem garantia de manutenção no posto. A orientação repassada é que Wagner assuma a saída como decisão voluntária para concentrar esforços nos desdobramentos jurídicos.
Aliados do presidente revelam ainda que Lula sugeriu que o senador concedesse entrevista para esclarecer as suspeitas. Wagner seguiu o conselho e, em declaração à Band News TV, negou qualquer irregularidade e ressaltou a confiança de Lula em sua integridade. “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, afirmou, dizendo que permanece no cargo “até segunda ordem”.
No entanto, integrantes do governo consideraram o tom da entrevista exagerado. Não há decisão final sobre a continuidade de Wagner, e as explicações foram vistas como insuficientes para dissipar as dúvidas internas.
As apurações da PF envolvem supostos repasses e benefícios relacionados ao Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso também gera preocupação no Planalto por possíveis impactos na defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que responde a acusações sobre recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Wagner e seus defensores destacam a longa relação de confiança com Lula como fator que tornaria difícil uma remoção direta. Ainda assim, a avaliação dominante no núcleo do governo é que a situação atual prejudica a imagem do Executivo, especialmente no momento em que se busca avançar a agenda legislativa no Congresso.
A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ampliou o debate sobre a necessidade de renovação na articulação política. Aliados de Wagner na Bahia também foram mobilizados para reforçar o convencimento.
Até o fechamento desta reportagem, o senador não havia confirmado publicamente qualquer decisão sobre o cargo. O Planalto monitora os próximos dias com a expectativa de uma solução rápida para reduzir instabilidades.
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