Maduro decreta nova emergência econômica e suspende sigilo fiscal na Venezuela

Medida autoriza ações coercitivas contra opositores e amplia poder do regime; oposição denuncia manobra autoritária em meio a crise econômica e inflação desenfreada
Por: Brado Jornal 14.abr.2025 às 08h07
Maduro decreta nova emergência econômica e suspende sigilo fiscal na Venezuela
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou mais uma vez estado de emergência econômica no país, autorizando o uso de "mecanismos extraordinários" para conter a evasão fiscal e permitindo ações coercitivas contra quem contrariar as diretrizes do regime. O decreto, já aprovado pelo Legislativo, suspende garantias constitucionais como o sigilo jurídico em matéria econômica, financeira e monetária — uma medida que, segundo opositores, abre caminho para abusos e perseguições políticas.

Durante a vigência do decreto, que tem validade inicial de 60 dias e pode ser prorrogado por igual período, instituições como a polícia e as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas estão obrigadas a colaborar com a implementação das medidas determinadas pelo governo.

O texto também autoriza o uso de medidas unilaterais, restritivas e punitivas para assegurar a obediência ao plano econômico de Maduro, o que reforça a centralização de poder nas mãos do chavismo. Embora não seja a primeira vez que o regime recorra ao estado de emergência — decretos semelhantes foram editados entre 2016 e 2021 —, a nova investida ocorre em um momento de crescente tensão política e profunda deterioração econômica.

A oposição reagiu de imediato. A Plataforma Democrática Unitária (PUD), principal frente opositora, acusou Maduro de usar o decreto como manobra para consolidar poder e sufocar adversários. “É um instrumento para o autoritarismo disfarçado de legalidade”, afirmou a coalizão em nota.

O ex-governador Andrés Velásquez foi ainda mais incisivo: “O decreto de emergência que concede poderes especiais ao ditador Maduro é pura encenação. Quer parecer democrático. Na Venezuela não há institucionalidade, tudo é fachada. Maduro concentra todos os poderes. É uma DITADURA”, publicou em sua conta na rede X (antigo Twitter).

A decisão de Maduro acontece poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, rever tarifas sobre importações da Venezuela. Inicialmente fixada em 15% no início de abril, a tarifa foi reduzida para 10% com validade de 90 dias, em meio a negociações diplomáticas.

Enquanto isso, a crise interna se agrava. Um novo estudo universitário divulgado nesta semana prevê inflação de quase 221% até o fim de 2025 e uma retração econômica de 2,05%. O cenário reforça o alerta de que o país seguirá mergulhado em instabilidade política e colapso financeiro — com a população pagando o preço mais alto.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Malafaia acusa Damares de oportunismo político
Pastor critica senadora por requerimentos sobre igrejas e pastores em CMPI
Senado rejeita resolução contra ações militares na Venezuela
Voto decisivo de J.d. Vance garante vitória para Trump por 51 a 50
Pesquisa Quaest revela divisão na opinião brasileira sobre intervenção dos EUA na Venezuela
Aprovação da operação militar americana chega a 46%, com forte variação por espectro político; maioria teme repetição no Brasil
Governo anuncia 40 smart TVs para cinema em presídios
Ministério da Justiça destina equipamentos caros para exibição de filmes em unidades prisionais, enquanto sistema carcerário enfrenta superlotação e falta de estrutura básica
ACM Neto projeta novo futuro para a Bahia na Lavagem do Bonfim
Ex-prefeito de Salvador participa da procissão e destaca 2026 como ano decisivo para mudança política no estado
Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio
Medida ocorre por grave comprometimento financeiro e violações às regras do sistema financeiro nacional; corretora tem baixa relevância no mercado
Carregando..