Deputadas trans têm identidade de gênero ignorada em emissão de visto dos EUA

Duda Salabert e Erika Hilton recebem documentos com marcação de gênero masculino; governo dos EUA é acusado de desrespeitar identidade reconhecida no Brasil
Por: Brado Jornal 17.abr.2025 às 08h06
Deputadas trans têm identidade de gênero ignorada em emissão de visto dos EUA
Reprodução/Redes Sociais

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) denunciou nesta quarta-feira (16.abr.2025) que o visto para entrada nos Estados Unidos foi emitido com a marcação de gênero masculino, desrespeitando sua identidade de gênero como mulher trans. Situação semelhante foi relatada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), também mulher trans.

Em publicação no X (antigo Twitter), Salabert explicou que havia sido convidada para participar de um curso sobre desenvolvimento na primeira infância, promovido em parceria com a Universidade Harvard. Durante o processo de renovação do visto, que estava vencido, foi surpreendida com a informação de que o novo documento traria o gênero masculino, por decisão das autoridades americanas.

“Para minha surpresa — e revolta —, fui informada de que meu novo visto viria com a marcação de gênero como masculino, com a ‘justificativa’ de que é de conhecimento público no Brasil que sou uma pessoa trans. Ou seja, minha identidade de gênero, reconhecida legalmente pelo Estado brasileiro, seria simplesmente ignorada”, escreveu a parlamentar.

Segundo a deputada, a justificativa foi apresentada durante a tramitação consular sob as diretrizes do atual governo dos EUA, presidido por Donald Trump (Partido Republicano), conhecido por pautas conservadoras e medidas que restringem direitos da população LGBTQIA+.

Salabert afirmou que já está buscando soluções diplomáticas para reverter a situação e garantir o respeito à sua identidade de gênero, conforme reconhecida legalmente no Brasil.

A deputada Erika Hilton ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas confirmou à imprensa que enfrentou situação semelhante.

A repercussão do caso levanta discussões sobre os limites da soberania consular e os impactos de políticas internacionais conservadoras na dignidade e nos direitos de pessoas trans, mesmo quando representando oficialmente seus países. O Itamaraty ainda não comentou o episódio.



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