Tensão e gafe marcam depoimentos de Aldo Rebelo e Mourão no STF

Aldo Rebelo, ouvido como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, protagonizou momentos de tensão
Por: Brado Jornal 26.mai.2025 às 09h35
Tensão e gafe marcam depoimentos de Aldo Rebelo e Mourão no STF
Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa (D), e Hamilton Mourão, senador e ex-vice-presidente (e) • CNN
A primeira semana de oitivas no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado foi encerrada nesta sexta-feira, 23, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os depoimentos, marcados por embates, ameaças de prisão e um deslize da Procuradoria-Geral da República (PGR), tiveram como destaques o ex-ministro Aldo Rebelo e o senador Hamilton Mourão.

Aldo Rebelo, ouvido como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, protagonizou momentos de tensão. Questionado pelo advogado de Garnier, Demóstenes Torres, sobre a suposta oferta de tropas da Marinha para um golpe a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Rebelo afirmou que a língua portuguesa não deveria ser interpretada literalmente. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, interrompeu, exigindo que ele se limitasse aos fatos, já que não esteve presente na reunião mencionada. Rebelo retrucou, defendendo sua “apreciação da língua portuguesa” e rejeitando “censura”, o que levou Moraes a advertir sobre possível prisão por desacato.

A sessão seguiu com atritos. O procurador-geral Paulo Gonet perguntou se a Marinha poderia executar um golpe sozinha, questão já barrada por Moraes anteriormente por ser considerada irrelevante. Após insistência, Gonet reformulou a pergunta, mas, ao pensar que seu microfone estava desligado, cometeu uma gafe ao dizer: “fiz uma cagada agora”. Rebelo, em sua fala, destacou que a Marinha, restrita ao litoral e dependente de fuzileiros, navios e submarinos, não teria capacidade para um golpe sem o Exército e a Aeronáutica, ironizando que tal ação só seria viável “na época do Tratado de Tordesilhas”.

O senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente, também depôs, negando qualquer plano para impedir a posse do presidente Lula ou manter Bolsonaro no poder. Ele afirmou que todas as reuniões pós-eleições trataram apenas da transição de governo e que Bolsonaro, embora “abatido” após o pleito, estava disposto a entregar o cargo. Mourão classificou como “fake” mensagens do celular do tenente-coronel Mauro Cid que o envolviam em supostas tratativas golpistas, chamando-as de “fantasia da internet”. Confrontado por Gonet sobre a possibilidade de Cid ter mentido em delação, Mourão manteve sua negativa. Ele também descreveu os atos de 8 de janeiro como “baderna”, atribuindo os ataques à “inação” do governo Lula e considerando a intervenção militar pedida por manifestantes “inviável”.

O atual comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, também prestou depoimento, negando conhecimento de planos para mobilizar tanques contra a posse de Lula. Todos os depoentes desta sexta-feira, diferentemente das testemunhas de acusação ouvidas anteriormente, negaram qualquer envolvimento ou ciência de um plano golpista. As investigações da Polícia Federal apontam que a falta de apoio dos comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, foi crucial para frustrar a tentativa de golpe.



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