Mauro Cid revela que Bolsonaro revisou minuta golpista com foco na prisão de Alexandre de Moraes

“Ele revisou o texto, eliminando as prisões de outras autoridades. Apenas o senhor (Moraes) permaneceria como alvo”, declarou, dirigindo-se ao ministro
Por: Brado Jornal 10.jun.2025 às 08h40
Mauro Cid revela que Bolsonaro revisou minuta golpista com foco na prisão de Alexandre de Moraes
Foto: Reprodução

Em depoimento prestado na segunda-feira (9.jun.2025) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, confirmou que Bolsonaro não apenas recebeu, mas também revisou a chamada “minuta do golpe”. O documento, que circulou após as eleições de 2022, previa a detenção de autoridades, incluindo ministros do STF e o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Segundo Cid, Bolsonaro editou o texto, reduzindo seu alcance para focar exclusivamente na prisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Primeira Turma do STF.

Alterações no documento

Questionado por Moraes durante o interrogatório, Cid afirmou que Bolsonaro leu e modificou a minuta. “Ele revisou o texto, eliminando as prisões de outras autoridades. Apenas o senhor [Moraes] permaneceria como alvo”, declarou, dirigindo-se ao ministro. Cid esclareceu que não presenciou o momento exato das alterações, realizadas na presença do ex-assessor Filipe Martins, mas viu o documento já revisado. “Quando Filipe saiu da sala, ele me mostrou o texto no computador, com as mudanças solicitadas pelo presidente”, relatou.

Interrogatórios do “núcleo crucial”

O depoimento de Cid marcou o início das oitivas com os oito réus do chamado “núcleo crucial” da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Além de Cid e Bolsonaro, estão sendo interrogados o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ministro-chefe do GSI Augusto Heleno, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice na chapa de Bolsonaro. A Primeira Turma do STF reservou cinco dias para essas audiências, que buscam esclarecer os detalhes da trama golpista.

As declarações de Cid reforçam as investigações sobre o planejamento de ações antidemocráticas, intensificando o foco sobre o papel de Bolsonaro e seus aliados na tentativa de subverter as instituições após a derrota eleitoral.




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