Trump eleva tarifas e pode cortar R$ 110 bilhões das exportações do Brasil, aponta BTG

De acordo com um relatório elaborado pela equipe do economista-chefe Mansueto Almeida, a projeção considera que parte das exportações afetadas poderá ser redirecionada a outros mercados nos próximos trimestres
Por: Brado Jornal 11.jul.2025 às 07h28
Trump eleva tarifas e pode cortar R$ 110 bilhões das exportações do Brasil, aponta BTG
Foto: Nathan Howar

O banco BTG Pactual estima que as novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros podem reduzir as exportações do Brasil em aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 110 bilhões) até o final de 2026.

De acordo com um relatório elaborado pela equipe do economista-chefe Mansueto Almeida, a projeção considera que parte das exportações afetadas poderá ser redirecionada a outros mercados nos próximos trimestres. Ainda assim, o impacto será significativo: “Estimamos uma redução das exportações de US$ 7 bilhões (0,3% do PIB) em 2025 e de US$ 13 bilhões (0,6% do PIB) em 2026.”

O documento destaca que medidas retaliatórias poderiam mitigar parcialmente os prejuízos ao saldo comercial, mas trariam riscos consideráveis: “A adoção de medidas retaliatórias poderia, em tese, compensar parte da deterioração do saldo comercial, mas traria riscos importantes: aumentaria a incerteza regulatória, encareceria a importação e poderia desencadear uma escalada de tensões comerciais, com impactos negativos sobre a inflação e o investimento.” O relatório enfatiza que o maior dano não está apenas na queda direta do comércio, mas na “piora do ambiente econômico, na deterioração da relação de parceria histórica entre os dois países e na incerteza gerada.”

O estudo também aponta que, com as tarifas setoriais já existentes e a nova alíquota de 50%, a tarifa média efetiva dos EUA sobre produtos brasileiros saltará de 1,3% em 2024 para 37,2% em 2025. Apesar de a participação dos EUA nas exportações brasileiras ter diminuído de cerca de 25% no início dos anos 2000 para 12% atualmente, o mercado americano segue como o segundo maior destino das vendas externas do Brasil, sendo essencial para produtos manufaturados de alto valor agregado, como máquinas, autopeças e aeronaves.




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