Eduardo Bolsonaro reprova Tarcísio por diálogo com EUA e aponta desrespeito

Tensões no bolsonarismo crescem em meio à crise tarifária com os Estados Unidos
Por: Brado Jornal 15.jul.2025 às 07h50
Eduardo Bolsonaro reprova Tarcísio por diálogo com EUA e aponta desrespeito
Foto: Saul Loeb/ AFP
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) expressou forte descontentamento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua iniciativa de negociar com autoridades americanas em resposta às tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Eduardo classificou a atitude de Tarcísio como um “desrespeito” pessoal, destacando sua própria influência nos EUA. “É um desrespeito comigo. Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral”, declarou.

Eduardo também revelou que sua atuação nos EUA tem como objetivo principal pressionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que conduz inquéritos sobre a trama golpista de 2022 e investiga o deputado por possíveis crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, coação e embaraço a investigações. “Eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes”, afirmou.

A crítica de Eduardo expõe divisões no campo bolsonarista, especialmente após Tarcísio buscar diálogo com Jair Bolsonaro, ministros do STF e Gabriel Escobar, chefe da embaixada americana no Brasil, para mitigar os impactos econômicos das tarifas. A ala mais radical da oposição, alinhada a Eduardo, prioriza manter pressão sobre o STF, mesmo diante das consequências comerciais da crise com os EUA, o que intensifica o isolamento de Tarcísio entre os apoiadores mais ideológicos de Bolsonaro.

Eduardo também admitiu a possibilidade de renunciar ao mandato na Câmara, do qual está licenciado desde março, com o prazo de afastamento se encerrando em 20 de julho. “Ainda tenho assessor meu dando inputs. Não consigo bater martelo se houver alternativa. Mas, se for necessário, eu não volto ao Brasil”, disse, condicionando seu retorno ao país a eventuais sanções dos EUA contra Moraes.

O governo Lula, por sua vez, tem vinculado as tarifas de Trump à atuação de Eduardo e à proximidade entre Jair Bolsonaro e o presidente americano, buscando responsabilizar a oposição pelos prejuízos econômicos. A estratégia do Planalto visa enfraquecer a imagem de moderação que Tarcísio tenta consolidar, enquanto a crise diplomática e comercial revela fissuras na oposição.


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