A primeira semana de trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi caracterizada por dois episódios principais: a tentativa do governo de proteger José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o confronto entre o relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) e o delegado da Polícia Federal Bruno Bergamaschi em uma audiência sigilosa.
Durante a sessão fechada, que durou cinco horas, Bergamaschi, responsável pela operação Sem Desconto, se recusou a responder diversas perguntas, alegando sigilo. Alfredo Gaspar questionou a postura, argumentando que suas perguntas se baseavam em informações já públicas. A tensão aumentou quando o coordenador da PF, Alexandre Luís Rollo Alves, foi expulso da sala por, segundo o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), orientar a testemunha a evitar comentários sobre fatos já conhecidos.
Deputados governistas buscaram o Supremo Tribunal Federal (STF) com um habeas corpus para garantir o sigilo. O ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre fraudes no INSS, determinou que Bergamaschi respondesse apenas sobre informações públicas. Durante o depoimento, Gaspar também questionou a ausência de pedido de prisão contra Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador central do esquema. A defensora pública Patrícia Bettin Chaves também foi ouvida, relatando fraudes identificadas desde 2019.
A base governista tentou evitar a convocação de Frei Chico, vice-presidente do Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), argumentando que apenas presidentes das 10 entidades sindicais investigadas seriam chamados. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) reforçaram que não havia acordo para incluir Frei Chico. “Por que convocar o vice-presidente e não todos os diretores?”, questionou Randolfe.
A oposição, no entanto, rejeitou a argumentação. Segundo o Poder360, nove dos 32 membros da CPMI negaram qualquer acordo para excluir Frei Chico. Marcel van Hattem afirmou que a convocação do irmão de Lula já estava prevista e que, após ouvir os presidentes, a comissão avaliará novas convocações.
Na quinta-feira (4.set.2025), a CPMI deve ouvir os ex-ministros da Previdência Carlos Lupi (PDT), que deixou o cargo após a operação Sem Desconto, e Onyx Lorenzoni (União Brasil-RS), da gestão Jair Bolsonaro (PL). A estratégia é equilibrar depoimentos de figuras ligadas aos governos petista e bolsonarista. A comissão definiu que presidentes de associações serão ouvidos às segundas-feiras, e ex-ministros, às quintas, seguindo ordem cronológica inversa.
Deflagrada em 23 de abril de 2025, a operação da Polícia Federal investiga descontos indevidos em benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões. Foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária em 13 estados e no Distrito Federal. A Controladoria Geral da União (CGU) identificou que 70% das 29 entidades analisadas não apresentaram documentação completa ao INSS, e a maioria dos beneficiários entrevistados não autorizou os descontos. Seis pessoas, incluindo o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foram afastadas.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...