Jerônimo enfrenta desafios políticos e descrença em projetos na Bahia

Governador lida com queda de popularidade, desconfiança na Ponte Salvador-Itaparica e pressões por emendas
Por: Brado Jornal 19.set.2025 às 09h53
Jerônimo enfrenta desafios políticos e descrença em projetos na Bahia
Crédito: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), enfrenta um cenário político delicado em 2025, com pesquisas internas apontando dificuldades para manter sua base de apoio e críticas crescentes a projetos emblemáticos de seu governo. Dados recentes de levantamentos realizados em cidades do interior indicam que a intenção de voto em Jerônimo estagnou em algumas localidades e caiu em outras, em comparação com os resultados das eleições de 2022. Fontes próximas ao governo revelam preocupação com a falta de crescimento na popularidade do governador, que, segundo um aliado influente, parece não conseguir avançar nas intenções de voto. O mesmo cenário reflete-se na avaliação do presidente Lula (PT), que, conforme um governista, “perdido seu encanto” em municípios menores.Pesquisas revelam cenário desfavorávelTrês pesquisas recentes em cidades pequenas do interior, às quais esta coluna teve acesso, mostram que em duas delas a intenção de voto em Jerônimo foi significativamente inferior ao desempenho de 2022. Na terceira cidade, onde ele conta com apoio das classes A, B e C, o índice se manteve estável, mas sem sinais de crescimento. Esses dados reforçam análises qualitativas anteriores, que classificaram a gestão de Jerônimo como “péssima, medíocre e caótica”, evidenciando o desafio de reverter a percepção negativa entre os eleitores.Audiência da Ponte Salvador-Itaparica expõe descrençaA audiência pública realizada na Assembleia Legislativa para discutir o cronograma da Ponte Salvador-Itaparica, projeto prometido há quase duas décadas pelos governos petistas, foi marcada por baixa adesão e ceticismo. Menos de um terço dos deputados da base governista compareceu, o que foi interpretado como um sinal de descrédito no projeto. A reunião, mais política do que técnica, reforçou a desconfiança até entre aliados. O secretário da Casa Civil, Afonso Florence (PT), anunciou que as obras começarão em 4 de junho de 2026, quatro meses antes da eleição para governador, o que foi recebido com ironia por alguns presentes. “Que Deus me dê saúde para ver essa ponte”, declarou a presidente da Assembleia, Ivana Bastos (PSD), em um momento de franqueza que gerou risos e olhares constrangidos.

A proposta de criar uma secretaria especial para a ponte, chamada Seponte, também foi alvo de controvérsia. Anunciada por Jerônimo, a iniciativa foi desmentida pelo líder governista Rosemberg Pinto (PT), que classificou a ideia como apenas um “pensamento estratégico”. A justificativa de Rosemberg, que citou a Ponte Rio-Niterói como precedente, foi desmentida por não se sustentar historicamente, já que a obra fluminense foi conduzida pelo governo federal durante o regime militar, sem envolvimento de secretarias estaduais. O episódio foi visto como um deslize que expôs improvisos na base governista.Pressão por emendas parlamentaresOutro ponto de tensão é a movimentação do deputado Marquinho Viana (PV), que busca assinaturas para uma PEC que eleva de 1% para 1,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) o valor destinado às emendas parlamentares impositivas. Metade dos recursos seria obrigatoriamente destinada à saúde, enquanto a outra metade ficaria a critério dos deputados. A proposta, que precisa de 21 assinaturas para ser protocolada, tem gerado desconforto no governo, especialmente para Rosemberg Pinto, que vê aliados flertando com a iniciativa. A pressão reflete a insatisfação de parlamentares com o cumprimento das emendas, que, por lei, são obrigatórias.Redução no abono do Fundef gera críticasO governo de Jerônimo também enfrenta críticas pela redução do abono extraordinário pago aos professores com recursos dos precatórios do Fundef. Em 2025, o percentual caiu de 30% (pago em 2023 e 2024) para 20%. A oposição tentou, sem sucesso, restabelecer o percentual anterior por meio de uma emenda, que foi vetada pelo governador em regime de urgência. Professores protestam, alegando que o governo não repassa os juros de mora dos precatórios e trava na Justiça o pagamento integral devido, intensificando o descontentamento da categoria.Podcast e seca agravam cenárioO podcast semanal de Jerônimo, que já foi alvo de críticas internas por gerar memes e cortes desfavoráveis, enfrentou problemas técnicos na última edição, sendo disponibilizado com atraso e sinais de edição. Assessores já haviam sugerido a suspensão do programa, mas o governador optou por mantê-lo. Enquanto isso, a seca na região de Irecê continua causando prejuízos, com imagens de rios secos e animais mortos circulando nas redes. A população local questiona a efetividade do comitê criado pelo governo para enfrentar a crise, que afeta o abastecimento de água e a subsistência dos moradores.

O cenário adverso, somado à descrença em projetos como a Ponte Salvador-Itaparica e às tensões com a base aliada, coloca Jerônimo Rodrigues diante de desafios políticos que podem impactar suas estratégias para as eleições de 2026.


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