Principais famílias que comandam o jogo do bicho no Rio de Janeiro

De Castor de Andrade a Rogério Andrade e Bernardo Bello – como o poder da contravenção carioca passou de geração em geração
Por: Brado Jornal 25.nov.2025 às 10h12
Principais famílias que comandam o jogo do bicho no Rio de Janeiro
Reprodução
Nos últimos quarenta anos, o controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro foi marcado por sucessões familiares, disputas violentas e alianças com escolas de samba. O que começou como uma brincadeira no Jardim Zoológico, nos anos 1930, transformou-se em uma estrutura de domínio territorial nas comunidades e ruas da capital fluminense, sustentada por cinco grandes famílias: Garcia, Castor de Andrade, Guimarães, Escafura e Abraão.

As cinco famílias históricas

A base do poder atual ainda repousa sobre os nomes que surgiram entre as décadas de 1970 e 1980: Miro Garcia, Castor de Andrade, Capitão Guimarães, José Escafura (o Piruinha) e Anísio Abraão David. Cada um deles consolidou territórios e escolas de samba que, até hoje, funcionam como símbolos públicos de influência.

Família Garcia – a mais poderosa da Zona Norte, Centro e Zona Sul

Miro Garcia foi o patriarca. Após sua morte, o comando passou para o filho mais velho, Maninho Garcia, conhecido como “Rei do Rio” e temido mesmo entre os outros grandes contraventores. Maninho foi assassinado em 2004, na porta de uma academia na Barra da Tijuca crime apontado como o estopim de várias guerras posteriores.

Hoje o espólio de Miro é disputado principalmente pelas netas Shanna Harrouche Garcia e Tamara Garcia, filhas de Maninho, e por Bernardo Bello, ex-marido de Tamara. Shanna já acusou publicamente Bello de mandar atentar contra sua vida em 2019, quando levou dois tiros na saída de um shopping. O espólio estimado em R$ 25 milhões, deixado por Maninho, segue como principal motivo das acusações mútuas.

A família Garcia tradicionalmente nomeia os patronos da Acadêmicos do Salgueiro.

Família Castor de Andrade – Mocidade e Costa Verde

Castor dominou a Zona Oeste e a região da Costa Verde. Após sua morte, em 1996, o filho foi assassinado um ano depois. O genro Fernando Iggnácio assumiu, mas acabou morto a tiros em um heliponto, em 2020. Desde então, Rogério de Andrade, sobrinho de Castor, consolidou-se como o principal nome da família – até ser preso na manhã de 29 de outubro de 2024, acusado pelo homicídio qualificado de Iggnácio.

Família Guimarães – a mais “organizada”

Capitão Guimarães, ex-militar acusado pela Comissão Nacional da Verdade de participar de tortura e execuções durante a ditadura, trouxe para o jogo do bicho o que o historiador Luiz Antonio Simas chamou de “know-how dos porões do regime”.

“Ele tinha relações com os grupos armados dos porões do regime autoritário e, então, leva esse know how para o jogo do bicho com a intenção de fazer do bicho uma atividade sistemática”, explica Simas.

Capitão criou uma hierarquia rígida e conquistou Niterói em apenas cinco anos. Atualmente preso após a Operação Mahyah, deve ser sucedido pelo filho Luiz Guimarães. A família é a principal patrona da Unidos de Vila Isabel e foi uma das fundadoras da Liesa em 1984.

Família Escafura – a mais antiga ainda ativa

José Caruzzo Escafura, o Piruinha, 94 anos, entrou no ramo nos anos 1950 como gerente de bancas na região da Abolição, Piedade e Inhaúma, onde ainda mora. É o único decano da velha guarda ainda vivo e ativo, segundo o Ministério Público. Um de seus filhos, Haylton Carlos, foi assassinado em 2017 em disputa por máquinas caça-níqueis em Madureira.

Família Abraão – rainha da Baixada Fluminense

Anísio Abraão David e o filho Gabriel alternam o patronato da Beija-Flor de Nilópolis e controlam os pontos da Baixada. São considerados os mais influentes da região até hoje.

O comando atual

Hoje o jogo do bicho no Rio é dividido principalmente entre dois grandes nomes:

  • Rogério de Andrade (herdeiro de Castor, preso em 29/10/2024)
  • Bernardo Bello (ex-genro de Maninho Garcia, que nega envolvimento com a contravenção apesar de liderar pontos importantes)
A guerra silenciosa entre as duas alas continua definindo quem realmente manda na mais tradicional contravenção carioca.


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