Em sessão realizada nesta segunda-feira (10 de novembro de 2025), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) responsável por apurar irregularidades no INSS autorizou a retenção do telefone móvel pertencente a Igor Dias Delecrode, um jovem empresário de 28 anos apontado como figura central em um suposto esquema de desvio de recursos públicos. O valor estimado das fraudes chega a R$ 700 milhões, obtidos por meio de descontos indevidos em pagamentos de benefícios e pensões a aposentados e pensionistas.
Delecrode compareceu ao Congresso Nacional para cumprir o depoimento convocado pela comissão, mas optou pelo silêncio diante da maioria das indagações dos parlamentares. Protegido por uma liminar de habeas corpus emitida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele invocou o direito de não se autoincriminar, recusando-se inclusive a subscrever o termo de compromisso com a veracidade das declarações. O empresário também não forneceu a senha de acesso ao dispositivo apreendido à Polícia Legislativa, o que pode complicar análises técnicas posteriores.
A decisão de confiscar o celular foi proposta e aprovada durante a própria oitiva, com o objetivo explícito de resguardar elementos probatórios essenciais para o andamento das apurações. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu a medida ao afirmar que ela se justifica “para garantir a integridade das investigações”.
O foco das investigações recai sobre a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionistas (AASAP), entidade presidida por Delecrode e acusada de realizar cobranças irregulares sobre valores de aposentadorias, resultando na movimentação irregular de centenas de milhões de reais. O esquema, segundo indícios coletados pela comissão, explorava vulnerabilidades no sistema do INSS para efetuar os desvios de forma sistemática.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), manifestou forte repúdio à postura do depoente e à concessão da liminar judicial. “A blindagem pela própria comissão é uma vergonha. Juntos, os blindados receberam R$ 10 milhões de dinheiro roubado. Essas blindagens impossibilitam que avancemos ainda mais nas negociações”, criticou Gaspar, estendendo as acusações a outros envolvidos. Ele ainda questionou os critérios aplicados pelo STF: “O silêncio desse rapaz é um tapa na cara do povo brasileiro”. Para o parlamentar, um cidadão de menor poder aquisitivo não teria acesso a tal proteção, permitindo que o empresário “debochasse” das autoridades.
A sessão ocorreu em Brasília e foi registrada pela Agência Senado, com imagens de Carlos Moura datadas de 10 de novembro de 2025. A matéria foi elaborada pelo estagiário de jornalismo Davi Alencar, com supervisão do editor-assistente Lucas Fantinatti, e reflete os desdobramentos iniciais de uma operação que pode envolver mais testemunhas e novas quebras de sigilo nos próximos dias.
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