O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Justiça, solicitou às operadoras de telefonia os registros de chamadas e mensagens de jornalistas do New York Times, incluindo dados de familiares, como cônjuges e a mãe de um dos repórteres. A medida tem como objetivo identificar as fontes das informações publicadas sobre supostas falhas de segurança no novo Air Force One, aeronave doada pelo Catar.
As reportagens foram publicadas nos dias 8 e 9 de julho de 2026 e revelaram que Donald Trump, apesar de ter apresentado o interior luxuoso do avião durante uma viagem à Turquia, retornou aos Estados Unidos em uma aeronave mais antiga por recomendação do Serviço Secreto.
Após a divulgação das informações, o presidente determinou a abertura de uma investigação. Em 10 de julho, os repórteres responsáveis pelas matérias foram intimados a depor perante um grande júri federal. Poucos dias depois, o Departamento de Justiça enviou intimações às operadoras de telefonia solicitando registros de chamadas e mensagens desde janeiro de 2026. As ordens também impediram, temporariamente, que o jornal fosse informado sobre os pedidos.
O New York Times recorreu à Justiça em 18 de julho para tentar anular as intimações. A ação, tornada pública em 20 de julho por decisão do juiz Arun Subramanian, acusa o governo de descumprir normas internas do próprio Departamento de Justiça, de tentar intimidar a imprensa e de invadir de forma excessiva a privacidade de familiares dos jornalistas. Segundo o jornal, o alcance das solicitações indica uma tentativa de mapear a rede de contatos entre os repórteres e suas fontes.
Em resposta, o Departamento de Justiça afirmou que as medidas estão em conformidade com a legislação federal e ressaltou que os jornalistas não são investigados, mas que a apuração busca identificar os responsáveis pelo vazamento de informações confidenciais.
As intimações permanecem suspensas até que a Justiça tome uma decisão definitiva sobre o caso.
O episódio reacende o debate sobre o equilíbrio entre investigações envolvendo segurança nacional e a proteção à liberdade de imprensa nos Estados Unidos.
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