Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo levam tombo após Trump recuar de tarifas em negociação direta com Lula

Eduardo Bolsonaro quanto o comentarista Paulo Figueiredo insistiam publicamente que Donald Trump jamais recuaria das tarifas sem a aprovação prévia de uma anistia a Jair Bolsonaro
Por: Brado Jornal 21.nov.2025 às 05h48 - Atualizado: 21.nov.2025 às 21h06
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo levam tombo após Trump recuar de tarifas em negociação direta com Lula
The face of mirth. EPA/Jim Lo Scalzo

Os Estados Unidos publicaram nesta quinta-feira (20) uma nova ordem executiva que remove a tarifa adicional de 40% aplicada a diversos produtos agrícolas brasileiros. A decisão, assinada pelo presidente Donald Trump, beneficia especialmente carne bovina, café, açaí, cacau, sucos, frutas tropicais e fertilizantes, com efeito retroativo a partir de 13 de novembro – exatamente o dia em que o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o secretário de Estado Marco Rubio.

Diferente da medida global anunciada na semana passada, esta exceção vale apenas para o Brasil. No texto, Trump menciona explicitamente a conversa telefônica que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de outubro e destaca que o progresso nas negociações bilaterais foi decisivo para a retirada das taxas.

Nos últimos meses, tanto o deputado Eduardo Bolsonaro quanto o comentarista Paulo Figueiredo insistiam publicamente que Donald Trump jamais recuaria das tarifas sem a aprovação prévia de uma anistia a Jair Bolsonaro, e que qualquer negociação do governo Lula com autoridades americanas estava condenada ao fracasso porque “teria que passar por eles primeiro”. A decisão anunciada hoje pela Casa Branca, fruto direto do diálogo entre Lula e Trump e das reuniões oficiais entre Vieira e Rubio, desmentiu por completo essas previsões e expôs a desconexão dos dois com os canais reais de decisão nos EUA.

Lula celebrou o resultado: “Fiquei muito feliz porque o presidente Trump começou a reduzir a taxação de alguns produtos brasileiros. Essas coisas acontecem quando a gente conversa”. O presidente afirmou que manterá o diálogo para eliminar as tarifas que ainda pesam sobre outros itens.

Para o Itamaraty, a menção expressa às negociações com o Brasil e a data retroativa reforçam o reconhecimento do trabalho diplomático brasileiro. O secretário Luis Rua, do Ministério da Agricultura, classificou a medida como “excelente notícia” que devolve competitividade ao setor no mercado americano.

Setor privado respira aliviado  

O café, principal destino de exportação brasileira para os EUA (cerca de 16% do total), teve suas vendas cortadas pela metade entre agosto e outubro por causa do tarifaço. Marcos Matos, diretor do Cecafé, chamou a decisão de “presente de Natal antecipado”.  

Na carne bovina, os Estados Unidos eram o segundo maior importador antes da medida punitiva. A Abiec (associação do setor) destacou que a reversão “reforça a estabilidade do comércio internacional e recoloca a carne brasileira em condições equilibradas”.

Negociações continuam  

O governo brasileiro informou que seguirá negociando a retirada das tarifas que ainda incidem sobre produtos manufaturados, além da revogação de sanções individuais – como a suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes –, temas que sempre fizeram parte da pauta bilateral.

Em nota, o Itamaraty reafirmou a disposição de “continuar o diálogo como meio de solucionar questões entre os dois países”, lembrando os 201 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Principais produtos que tiveram a tarifa de 40% removida  

- Carne bovina (todas as categorias)  

- Café (verde, torrado e derivados)  

- Açaí, manga, laranja, abacaxi, banana e outras frutas frescas ou processadas  

- Cacau e derivados  

- Sucos e polpas de frutas  

- Especiarias (pimenta, cúrcuma, gengibre, canela etc.)  

- Mandioca e outros tubérculos  

- Fertilizantes (ureia, nitratos, fosfatados e potássicos)



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