Operação Compliance Zero amplia investigação sobre Banco Master e evidencia ausência de posicionamento de lideranças do PL

O caso passou a ter repercussão política após a identificação de relações institucionais e pessoais entre investigados e agentes públicos ligados ao governo federal anterior, especialmente no âmbito do Partido Liberal (PL)
Por: Brado Jornal 29.dez.2025 às 15h21 - Atualizado: 29.dez.2025 às 15h45
Operação Compliance Zero amplia investigação sobre Banco Master e evidencia ausência de posicionamento de lideranças do PL
Lado esquerdo: João Roma e Roberta Roma ao lado de Augusto Lima em 2019. Roma ao lado do senador Flávio Bolsonaro

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, apura um suposto esquema de fraudes em carteiras de crédito consignado envolvendo o Banco Master, com prejuízo estimado em R$ 12 bilhões. A investigação resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e do empresário Augusto Ferreira Lima (Guga Lima), controlador do Banco Pleno.

O caso passou a ter repercussão política após a identificação de relações institucionais e pessoais entre investigados e agentes públicos ligados ao governo federal anterior, especialmente no âmbito do Partido Liberal (PL).

BAHIA: Relações políticas identificadas na investigação

No centro das conexões políticas mencionadas em apurações e relatos de bastidores está o ex-ministro da Cidadania João Roma, atual presidente do PL na Bahia. Segundo fontes políticas da oposição baiana ao PT, Roma mantém relação pessoal antiga com Daniel Vorcaro e proximidade com Augusto Lima. Ainda de acordo com esses relatos, Roma apresentou Lima à então deputada federal Flávia Arruda, que viria a ocupar o cargo de ministra da Secretaria de Governo no governo Jair Bolsonaro.

Outro ponto de ligação identificado é a presença de Ronaldo Vieira Bento na estrutura do Banco Pleno. Bento é servidor de carreira do Executivo Federal e policial federal na reserva. Durante o governo Bolsonaro, ocupou a Chefia de Assuntos Estratégicos do Ministério da Cidadania na gestão de João Roma e, em março de 2022, foi indicado por Roma para assumir interinamente o comando da pasta.

Atualmente, Ronaldo Vieira Bento integra a diretoria executiva do Banco Pleno, instituição controlada por Augusto Lima, preso no âmbito da operação.

Dados financeiros do Banco Master

Os balanços do Banco Master indicam crescimento acelerado das operações de crédito consignado entre 2021 e 2023, seguido de redução expressiva em 2024:

2021: R$ 754,6 milhões

2022: R$ 2,2 bilhões

2023: R$ 2,5 bilhões

2024: R$ 919 milhões

A queda ocorreu após a cessão de aproximadamente R$ 1,6 bilhão em carteiras de crédito, sem divulgação do comprador, e coincidiu com a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação que não foi autorizada pelo Banco Central.

No mesmo período, o Banco Master registrou aumento no lucro líquido, que passou de R$ 532 milhões em 2023 para R$ 1,068 bilhão em 2024, conforme demonstrações financeiras divulgadas antes da liquidação extrajudicial da instituição, decretada em novembro de 2025.

A defesa de Daniel Vorcaro informou que o banqueiro e o Banco Master estão à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Banco Pleno e separação societária

O Banco Pleno S.A., anteriormente denominado Banco Voiter, integrou o conglomerado do Banco Master entre 2019 e 2025. Em junho de 2025, Augusto Lima adquiriu o controle da instituição, promovendo a alteração da denominação social e a formalização da separação do grupo Master. O Banco Central autorizou a transferência de controle e a mudança de nome em agosto de 2025.

Segundo a Polícia Federal, as investigações relacionadas a Augusto Lima dizem respeito a operações realizadas antes de sua saída do Banco Master, ocorrida em maio de 2024. A defesa do empresário afirma que ele não mantém vínculo com as fraudes apuradas após esse período.

O Banco Pleno informou, por meio de nota, que não é alvo da Operação Compliance Zero, que não possui relação societária com o Banco Master e que mantém suas operações regulares.

Posicionamento político

Até o momento, não há registros públicos de manifestações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a Operação Compliance Zero, as investigações envolvendo o Banco Master ou eventuais iniciativas legislativas relacionadas ao caso. Também não foram identificadas declarações públicas de outros parlamentares do PL ligados ao campo bolsonarista sobre o andamento da investigação.

A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público e decisões judiciais em instâncias superiores.



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