A Polícia Federal deteve Filipe Martins, antigo assessor especial para assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na manhã desta sexta-feira (2.jan.2026), em Ponta Grossa, no Paraná. Ele foi conduzido a uma unidade prisional local por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Martins cumpria prisão domiciliar desde 27 de dezembro de 2025, imposta após a tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. A medida domiciliar foi adotada em razão do risco de evasão apontado em investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado, com Moraes citando também o caso de Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, condenado e foragido no exterior.
A conversão para prisão preventiva ocorreu após Moraes concluir que Martins violou medidas cautelares, ao acessar o LinkedIn para buscar perfis de terceiros, mesmo proibido de usar redes sociais próprias ou de terceiros. O ministro destacou que o descumprimento demonstra "desrespeito às normas impostas e ao ordenamento jurídico". Em 30 de dezembro de 2025, Moraes havia dado 24 horas para a defesa explicar o acesso à plataforma, sob pena de prisão. A defesa negou uso pela parte de Martins em 31 de dezembro, alegando que advogados acessaram para preservar dados relevantes à defesa.
Filipe Martins foi condenado pela 1ª Turma do STF a 21 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, em julgamento de dezembro de 2025. A pena ainda não é definitiva, pois cabem recursos.
O advogado Jeffrey Chiquini, em publicação no X, afirmou que Martins cumpria rigorosamente as cautelares há mais de 600 dias, sem advertências prévias, e classificou a prisão como injustificada, chamando-o de "preso político".
Em julho de 2025, Moraes indeferiu pedido de entrevista de Martins a um veículo jornalístico, alegando risco de "tumulto processual", sem detalhar o conceito. O pedido argumentava interesse público, liberdade de imprensa e igualdade de tratamento entre réus, mas foi negado. Recurso à 1ª Turma aguarda julgamento.
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