O senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a CCJ do Senado e lidera o partido na Bahia, fortaleceu ainda mais sua influência no estado ao colocar familiares em posições estratégicas nos tribunais de contas baianos.
Sua nora, Renata Giannini Garcia Alencar, de 47 anos, educadora física, empresária no ramo educacional e casada há cerca de 30 anos com Otto Alencar Filho, com quem tem dois filhos (uma jovem de 23 e um adolescente de 18), ocupa o cargo de assessora no gabinete do corregedor Plínio Carneiro Filho no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) desde novembro de 2010. Em novembro de 2025, ela recebeu R$ 32.148,66, valor que inclui salário e benefícios adicionais. Antes disso, até 2015, atuou no gabinete do então deputado estadual Ângelo Coronel (hoje senador pelo PSD).
Já Otto Alencar Filho, de 48 anos, renunciou ao mandato de deputado federal pelo PSD em 28 de dezembro de 2025 (dois dias antes do Natal) para assumir como conselheiro vitalício no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). A indicação partiu do governador Jerônimo Rodrigues (PT), aliado do senador, e foi aprovada pela Assembleia Legislativa. O novo conselheiro tem formação com especialização internacional, três pós-graduações no Brasil, 25 anos de experiência no setor privado como executivo e empresário, além de passagem pela Agência de Fomento da Bahia (Desenbahia) entre 2015 e 2018. Eleito deputado federal em 2018 e o mais votado na Bahia em 2022, renunciou também às funções de vice-líder do governo Lula no Congresso e 1º vice-presidente da Comissão de Minas e Energia, com Charles Fernandes (PSD-BA) herdando sua vaga na Câmara.
O próprio Otto Alencar tem trajetória nos tribunais de contas: foi conselheiro no TCM-BA de 2004 a 2010, período anterior ao seu mandato como governador interino (2002-2003) e vice-governador na chapa com Jaques Wagner (PT) a partir de 2010. A nomeação de Renata ocorreu um mês após sua eleição como vice em 2010.
Os tribunais de contas são vistos como cobiçados por oferecerem vitaliciedade (até 75 anos), altos rendimentos com penduricalhos (em 2025, conselheiros do TCE-BA superaram R$ 82,9 mil mensais, totalizando mais de R$ 4,4 milhões no ano) e influência política significativa.Otto Alencar Filho negou que as colocações familiares decorram de influência política, atribuindo-as a mérito, competência, ética e profissionalismo. Plínio Carneiro Filho também defendeu a produtividade de Renata e afirmou que Otto Alencar não exercia cargo político na época de sua contratação.
Outros exemplos semelhantes reforçam o padrão de influência familiar nos tribunais de contas brasileiros, onde governadores ou ex-governadores, muitos hoje ministros no governo Lula, colocaram esposas em cargos vitalícios de conselheiros, garantindo altos salários e estabilidade até os 75 anos, em meio a críticas recorrentes de nepotismo e aparelhamento político.
Casos notórios incluem Daniela Barbalho, esposa do governador do Pará Helder Barbalho (MDB, aliado de Lula), aprovada como conselheira no TCE-PA em 2023, com remuneração elevada e questionamentos judiciais sobre imparcialidade na fiscalização das contas estaduais. No Amapá, Marília Góes, mulher do ex-governador e atual ministro Waldez Góes (PDT), assumiu vaga no TCE-AP em 2022, com a nomeação suspensa temporariamente por suspeita de nepotismo, mas revertida. Em Alagoas, Renata Calheiros, casada com o ex-governador e ministro Renan Filho (MDB), foi indicada ao TCE-AL em dezembro de 2022, recebendo até R$ 79,5 mil mensais com benefícios. No Piauí, Rejane Dias, esposa do ex-governador e ministro Wellington Dias (PT), ocupou assento no TCE-PI em 2023. No Ceará, Onélia Santana, mulher do ex-governador e ministro Camilo Santana (PT), teve nomeação aprovada recentemente para o TCE-CE, somando-se a pelo menos cinco esposas de ministros em cortes semelhantes. Na Bahia, Aline Peixoto, enfermeira casada com o ex-governador e ministro Rui Costa (PT), foi eleita conselheira no TCM-BA em 2023.
Esses episódios, que envolvem ex-governadores agora no Planalto, ilustram como os tribunais de contas, responsáveis por fiscalizar exatamente os governos que indicam seus membros, acabam servindo de "abrigo" para familiares, com salários que superam os de ministros federais e vitaliciedade que blindam influência política, contrariando o espírito de impessoalidade e moralidade na administração pública.
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