O senador Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando que seja avaliada a suspeição e eventual conflito de interesses do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga irregularidades no Banco Master.
A ação foi formalizada nesta terça-feira (20) e busca que a PGR examine se o magistrado deve se declarar impedido de atuar no processo, com base no Código de Processo Penal e na jurisprudência do STF sobre imparcialidade.
O pedido se fundamenta em alegações de proximidade entre Toffoli e investigados no caso, incluindo o patrocínio de eventos judiciais pelo Banco Master e decisões que teriam favorecido a instituição.
Girão argumenta que tais conexões podem comprometer a isenção do relator, especialmente após medidas como a manutenção de acareações durante o recesso judiciário e a designação nominal de peritos para análise de provas.
O inquérito, aberto no Supremo Tribunal Federal após a transferência do caso, apura suspeitas de fraudes financeiras, gestão temerária e lavagem de dinheiro no Banco Master, com desvios estimados em bilhões de reais.
A segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada em janeiro de 2026, incluiu buscas, apreensões e prisões temporárias, com o Banco Central decretando liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.
O senador, conhecido por críticas ao que chama de “ativismo judicial” no STF, defende que a PGR avalie se há elementos para afastamento do ministro, citando precedentes de suspeição em casos de interesse pessoal ou institucional.
A representação não pede afastamento imediato, mas análise formal para evitar nulidades processuais futuras.
Até o momento, a PGR não confirmou o recebimento ou andamento da peça. O STF e o gabinete de Toffoli também não se manifestaram sobre o assunto. O caso do Banco Master segue sob sigilo, com investigações em curso sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e outros executivos, além de possíveis ramificações políticas e financeiras.
A iniciativa de Girão se soma a questionamentos feitos por delegados da Polícia Federal e pela oposição sobre o andamento do processo, que já gerou atritos institucionais entre a PF e o Judiciário. O senador tem defendido publicamente maior transparência e independência nas apurações de grandes esquemas financeiros.
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