Em entrevista concedida ao Congresso em Foco, a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) acusou o Congresso Nacional de construir uma forte barreira para evitar a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apure as alegadas fraudes de bilhões de reais envolvendo o Banco Master. De acordo com ela, o entrave mais significativo ocorre na Câmara dos Deputados, onde a resistência se estende até mesmo a parlamentares identificados com a esquerda.
A parlamentar, que ocupa temporariamente a vaga de Glauber Braga (Psol-RJ) desde dezembro, após a suspensão dele por seis meses, destacou que optou pela via da comissão mista junto com a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) justamente para escapar das filas regimentais nas mesas diretoras da Câmara e do Senado. Essa estratégia obriga a instalação do colegiado assim que o número mínimo de assinaturas for atingido: 171 na Câmara e 27 no Senado.
Até o momento, o requerimento conta com pouco mais de 40 assinaturas de deputados e 33 de senadores, o que indica que o quórum necessário já foi alcançado apenas na Casa revisora. Heloísa Helena enfatizou que a ferramenta da CPMI é essencial para exercer fiscalização com poderes semelhantes aos judiciais, sem sigilo e com acompanhamento direto da sociedade.
A deputada fez duras críticas à falta de engajamento de setores progressistas. Ela considerou incoerente que parlamentares da esquerda, que durante campanhas atacavam figuras como Cláudio Castro e Jair Bolsonaro, agora hesitem em apoiar uma investigação que poderia envolver financiamentos questionáveis. "Não é sério, não é justo que a gente da esquerda não assine a comissão parlamentar de inquérito", afirmou, acrescentando que muitos no campo progressista ainda não subscreveram o pedido, apesar de alguns já terem aderido.
Heloísa Helena classificou como inaceitável que nomes da direita, potencialmente afetados pela apuração, demonstrem maior disposição em assinar do que colegas da esquerda. Ela rejeitou argumentos comuns para justificar a recusa, como evitar desgaste a ministros importantes, proteger o STF ou não comprometer o sistema financeiro, chamando-os de "conversa fiada".
A parlamentar reforçou que a abertura da comissão não é um favor, mas uma obrigação constitucional do Legislativo para promover controle, monitoramento e investigação. Citando uma expressão popular do sertão, resumiu sua posição: "Quem for podre, que se quebre". Apesar das dificuldades, Heloísa Helena afirmou que continuará a luta diária por novas assinaturas, comparando o esforço às "pequenas machadinhas" que derrubam muralhas, e comemorou cada adesão conquistada.
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