Empresa ligada a Vorcaro adquiriu projeto eólico de Fábio Faria por R$ 67,5 milhões

Negociação de 2024 incluiu apartamento de luxo em São Paulo e enfrenta questionamentos sobre registro e viabilidade técnica
Por: Brado Jornal 30.jan.2026 às 06h51
Empresa ligada a Vorcaro adquiriu projeto eólico de Fábio Faria por R$ 67,5 milhões
Reprodução
Negociação de 2024 incluiu apartamento de luxo em São Paulo e enfrenta questionamentos sobre registro e viabilidade técnicaUma empresa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, comprou 90% das cotas de um empreendimento de energia eólica que pertencia ao ex-ministro das Comunicações Fábio Faria (ex-PL-RN), do governo Jair Bolsonaro. A transação, concluída em fevereiro de 2024, cerca de um ano após Faria deixar o cargo ministerial, totalizou aproximadamente R$ 67,5 milhões e envolveu, como parte do pagamento, a entrega de um apartamento de alto padrão na região da Faria Lima, em São Paulo, avaliado inicialmente em R$ 50 milhões e revendido meses depois por R$ 54 milhões.

A operação foi formalizada por meio da Super Empreendimentos e Participações, companhia que tem ligações familiares com Vorcaro, comandada à época por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (preso e posteriormente solto). A Super atuou na cessão das quotas da Fazenda São Pedro Geradora de Energia SPE, sociedade de propósito específico criada para o projeto, que mantém capital social simbólico de R$ 1 mil e permanece com Faria detendo 10% como parceiro local.

O empreendimento está localizado no Rio Grande do Norte, estado natal de Fábio Faria, na região de Galinhos, com previsão inicial de gerar 240 megawatts de energia. Apesar de avançado em estudos técnicos, licenças ambientais e auditorias de mercado, o projeto perdeu atratividade no setor devido a limitações na rede de transmissão elétrica local, sem infraestrutura suficiente para escoar a produção e sem perspectivas concretas de expansão, o que dificulta sua viabilidade econômica.

Antes da venda a Vorcaro, Faria tentou captar outros investidores sem sucesso. A negociação ocorreu no âmbito privado, sem qualquer interação durante o período em que Fábio ocupava cargo público, conforme esclarecido por sua assessoria em nota oficial. A defesa destacou que o projeto já estava maduro, com todas as obrigações fiscais e regulatórias cumpridas, e que não existe sociedade pessoal além da participação minoritária na SPE.A transação ganhou destaque em meio às investigações sobre o Banco Master, já que a Super Empreendimentos é citada pela Procuradoria-Geral da República como possível instrumento para desvio de patrimônio da instituição financeira em benefício de Vorcaro. Como ex-ministro, Faria é considerado pessoa politicamente exposta (PEP) por até cinco anos após o mandato, o que impõe maior escrutínio em operações financeiras pelo Coaf e demais órgãos de compliance.


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