O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem retomado articulações para lançar o deputado federal Nikolas Ferreira como candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A ideia, segundo aliados próximos, visa assegurar um palanque robusto no segundo maior colégio eleitoral do país, considerado decisivo para o sucesso em pleitos nacionais.
As conversas recentes envolveram dirigentes do União Brasil e do PP, partidos que integram federação com o PL. Interlocutores confirmaram que o nome de Nikolas foi levado a essas discussões, com o centrão vendo o parlamentar como opção competitiva para disputar o Palácio da Liberdade.
A viabilidade da estratégia depende em grande parte da definição sobre o governador Romeu Zema (Novo). Cotado para compor como vice na chapa presidencial de Flávio, Zema mantém pré-candidatura própria ao Planalto. Seu vice, Matheus Simões (PSD), já sinalizou interesse em suceder o governador e declarou apoio explícito à projeção nacional de Zema. Em outubro, Simões reforçou que o palanque em Minas pertence ao atual chefe do Executivo estadual.
O PL teme que, sem um nome forte no estado, o partido fique enfraquecido na disputa presidencial, especialmente porque o ocupante do governo mineiro poderia direcionar a máquina pública para outro candidato ao Planalto. Aliados de Flávio avaliam que Nikolas, com alta capacidade de mobilização nas redes e presença presencial, seria capaz de garantir votos expressivos para a legenda.
Nikolas foi o deputado federal mais votado do Brasil em 2022, com 1,47 milhão de votos em Minas. A expectativa interna no PL é de que ele supere os 2 milhões em 2026, impulsionado pela força digital que o consolidou como cabo eleitoral relevante nas municipais de 2024. O partido se animou ainda com a participação dele na manifestação realizada em Brasília no domingo (25), contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pessoas próximas relatam que Nikolas já recusou, no ano passado, a possibilidade de disputar cargo majoritário. Ele próprio declarou em ocasiões anteriores não ter interesse imediato nesse tipo de eleição. Mesmo assim, a avaliação atual no PL é de que a candidatura dele se tornou necessária para evitar o enfraquecimento da legenda no estado, onde os últimos presidentes eleitos também obtiveram vitória.
Há expectativa de nova abordagem junto ao deputado para convencê-lo. Caso ele não aceite, o partido terá de buscar alternativa competitiva. Um dos nomes ventilados é o senador Cleitinho (Republicanos), conservador que já teve desentendimentos com a família Bolsonaro.
No lado governista, o presidente Lula (PT) demonstra interesse em lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo mineiro, mas enfrenta resistência do ex-presidente do Senado. Diante disso, o Planalto passou a considerar outras opções, como o próprio Cleitinho, o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.
Paralelamente, a defesa de Jair Bolsonaro, preso no complexo da Papudinha em Brasília, pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para visitas de Nikolas Ferreira e de outros três parlamentares do PL: o deputado Sanderson (RS) e os senadores Carlos Portinho (RJ) e Bruno Bonetti (RJ). O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, concedeu o pedido. Os encontros ocorrerão de forma individual nos dias 18 e 21 de fevereiro.
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