O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), declarou nesta segunda-feira (23), em Feira de Santana, que é a pessoa mais interessada no desfecho do inquérito sobre a compra não realizada de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste em 2020. A operação, orçada em R$ 48 milhões, nunca se concretizou e gerou questionamentos sobre possíveis irregularidades durante sua gestão como governador da Bahia e presidente da entidade.
A declaração ocorreu após a assinatura da ordem de serviço para a instalação do Centro Comunitário pela Vida (Convive), projeto ligado ao programa Bahia Pela Paz. Diferente de ocasiões anteriores, o ministro respondeu às indagações da imprensa de maneira direta, sem demonstrar incômodo ou evasivas.
Rui Costa enfatizou que acompanha o andamento do processo com grande expectativa e reiterou ter determinado, ainda no governo estadual, uma apuração detalhada e rigorosa. De acordo com ele, as ações iniciais levaram à prisão de envolvidos, mas outras prisões planejadas não foram executadas. O ex-governador criticou a decisão da Justiça à época, que liberou os detidos, e lamentou que o caso siga sem resolução definitiva até os dias atuais.
“Determinei investigação com seriedade, as pessoas foram presas, havia mais prisões previstas, mas a Justiça soltou todo mundo, e infelizmente o assunto continua sem solução”, afirmou. Ele insistiu que ninguém deseja mais do que ele o término rápido da investigação, para que os culpados por eventuais desvios de recursos públicos sejam responsabilizados criminalmente.
“Espero que a apuração termine logo e que quem roubou ou prejudicou o Estado pague pelos atos”, completou o ministro, que também é pré-candidato ao Senado nas eleições de outubro.
Do lado da oposição, o tema tem recebido pressão constante do ex-deputado federal e ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (Republicanos). O parlamentar tem utilizado o inquérito como principal argumento em sua pré-campanha ao Senado para 2026, cobrando posicionamentos mais claros e frequentes de Rui Costa sobre o episódio.
Em agosto do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mencionou a existência de novos elementos que poderiam relacionar o nome de Rui Costa às supostas falhas na aquisição, o que reacendeu as discussões políticas em torno do caso. O ministro, porém, manteve o tom de confiança na conclusão do processo e na punição dos verdadeiros responsáveis.
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