Hugo Motta afirma que taxação de bets era incompatível com o PL Antifacção e rejeita acusações de proteção ao setor

Presidente da Câmara defende decisão de retirar Cide-Bets do projeto aprovado na terça-feira (24), alegando que inclusão beneficiaria apostas ilegais; texto segue para sanção de Lula após acordo com relator e governo
Por: Brado Jornal 26.fev.2026 às 10h27
Hugo Motta afirma que taxação de bets era incompatível com o PL Antifacção e rejeita acusações de proteção ao setor
Rafael Melo / Folha de Pernambuco
Nesta quinta-feira (26), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), concedeu entrevista ao portal Metrópoles na qual explicou os motivos para a exclusão da contribuição sobre apostas esportivas (conhecida como Cide-Bets) do PL Antifacção, aprovado em plenário na noite de terça-feira (24).

Segundo Motta, a medida, que previa uma alíquota de 15% sobre transferências de pessoas físicas para plataformas de apostas on-line, com retenção na fonte, foi retirada por incompatibilidade temática com o objetivo central do projeto, que é endurecer o combate ao crime organizado, aumentar penas para participação em facções e milícias, permitir apreensão prévia de bens em investigações e atualizar o marco legal contra o crime.

Ele negou veementemente que a decisão representasse proteção ou favorecimento às empresas de apostas (bets). Pelo contrário, argumentou que manter o trecho no texto aprovaria uma forma de tributação que, na prática, beneficiaria o mercado ilegal de jogos on-line, já que plataformas irregulares escapariam da fiscalização e da cobrança. "Se aprovássemos isso, estaríamos favorecendo as bets ilegais", declarou o parlamentar.

A remoção ocorreu após negociações que incluíram acordo entre o relator Guilherme Derrite (PP-SP) e o governo federal, liderado pelo ministro da Justiça Wellington César. Motta destacou que o texto final resultou de diálogo técnico e que a Câmara respeita eventuais vetos parciais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfatizando que "o momento não é de confronto entre Legislativo e Executivo", mas sim de união contra o crime organizado.

A aprovação do PL Antifacção foi em votação simbólica, com o projeto renomeado como Lei Raul Jungmann em homenagem ao ex-ministro da Segurança Pública falecido em janeiro. O tema da taxação das bets deve ser tratado em proposta separada no futuro.A decisão gerou críticas da base governista, que acusou Motta de atropelar o regimento, censurar deputados favoráveis à tributação e ceder ao lobby do setor.
Parlamentares da oposição e aliados do relator defenderam a exclusão como necessária para preservar a coerência do projeto principal. O texto aprovado segue agora para análise e possível sanção presidencial. 


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Vorcaro cita pedido de Flávio Bolsonaro para filme sobre o pai em nova delação
Ex-banqueiro detalhou repasses de R$ 60 milhões para a produção de “Dark Horse” e as cobranças do senador
Dupla é detida com 500 camisas piratas da seleção na Bahia
Homem e mulher são flagrados pela PRF na BR-407, em Juazeiro, transportando mercadorias falsificadas e sem nota fiscal vindas de São Paulo.
Assalto a joalheria de luxo gera pânico em outlet baiano
Homens armados invadiram a unidade da Vivara no Outlet Premium Salvador e fugiram com peças de alto valor antes da chegada da polícia
Carlos Muniz classifica voto em Lula como decisão pessoal
Presidente da Câmara de Salvador reforça preferência pelo petista em eventual disputa com Flávio Bolsonaro, mas deixa aberta possibilidade de mudança
Três PMs baianos viram alvo de operação por morte de morador
Agentes são investigados por homicídio qualificado e fraude processual após versão de confronto ser desmentida por provas e testemunhas
Produtora do filme “Dark Horse” assinou contrato de R$ 5 milhões com o Governo do Distrito Federal na gestão Ibaneis
Empresa ligada à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro recebeu recursos públicos durante a administração do governador Ibaneis Rocha
Carregando..