O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, nesta segunda-feira (2 de março de 2026), uma conversa telefônica com o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, para analisar a grave escalada de tensões no Oriente Médio.
Entre os principais pontos tratados estiveram os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, além das possíveis consequências para a política externa brasileira.
Durante o diálogo, Lula resgatou a memória da Declaração de Teerã, acordo firmado em maio de 2010 pelo Brasil, Irã e Turquia, que previa a transferência de parte do urânio enriquecido iraniano para a Turquia em troca de combustível nuclear para fins médicos. A iniciativa, liderada à época pelo próprio Lula, visava reduzir as tensões em torno do programa nuclear iraniano, mas foi rejeitada pelo governo de Barack Obama, que optou por novas sanções aprovadas no Conselho de Segurança da ONU.
Com o agravamento da crise atual, incluindo a ausência de contatos diretos entre Lula e autoridades iranianas desde o início dos ataques (até 28 de fevereiro), o Planalto avalia se existe margem para o Brasil retomar uma postura ativa de mediação na região.
O Itamaraty, por sua vez, emitiu duas notas oficiais: a primeira condenando os ataques ocidentais e apelando por desescalada imediata; a segunda expressando solidariedade a nações afetadas por ações retaliatórias iranianas, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, e reforçando o compromisso com o Direito Internacional.
Na mesma data, o ministro Mauro Vieira conversou por telefone com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan, a pedido do lado emiradense. A embaixada brasileira em Teerã continua funcionando normalmente.
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, elogiou publicamente a posição inicial do governo brasileiro como “valorosa”. Já Celso Amorim, em entrevista recente, alertou que o risco de uma guerra global aumentou e que o Irã “não vai desaparecer, nem vai se render”.
A discussão ocorre em um momento em que Lula prepara viagem aos Estados Unidos para encontro com o presidente Donald Trump, agenda que pode incluir a crise no Oriente Médio, além de temas como tarifas comerciais e cooperação contra o crime organizado.
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