Suplemente de Alcolumbre é flagrado com R$ 350 mil em espécie pela PF

Empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado, foi monitorado sacando dinheiro e entrando em veículo ligado a primos de Davi Alcolumbre durante apuração de fraudes no Dnit-AP
Por: Brado Redação 12.mar.2026 às 16h00
Suplemente de Alcolumbre é flagrado com R$ 350 mil em espécie pela PF
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A Polícia Federal capturou imagens do empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), saindo de uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro vivo e embarcando em um veículo registrado em nome de empresa pertencente a primos do presidente do Senado. O fato integra relatório de vigilância da operação que investiga suspeitas de desvios e fraudes em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá.

O monitoramento começou após alerta do Coaf sobre movimentações elevadas em espécie. A PF constatou que os saques ocorriam logo após depósitos de contratos públicos, levantando indícios de lavagem de dinheiro. No total, as retiradas das contas das empresas de Chaves Pinto superam R$ 3 milhões em períodos próximos a pagamentos governamentais.

Um dos episódios ocorreu em 7 de novembro de 2024, em Santana (AP), a cerca de 20 km de Macapá. Agentes posicionaram-se em frente à agência após saberem que o empresário havia solicitado R$ 350 mil. Ele chegou às 13h14 como passageiro em uma SUV branca, carregando mochila azul, permaneceu cerca de 30 minutos no banco e saiu para entrar no mesmo carro, que o esperava do lado de fora.

A PF descobriu que o veículo pertence à Lojas 2A Ltda., cujos únicos sócios são Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre, primos em primeiro grau do senador. Documentos mostram que a transferência oficial do carro para Chaves Pinto foi registrada apenas em julho de 2025, quase nove meses após o flagra, e comunicada dois dias depois de buscas e apreensões na Operação Route-156.

André Alcolumbre explicou que a venda ocorreu em 2022, com pagamento recebido na conta da empresa, mas a transferência atrasou por “erro material”. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o prazo para transferência é de 30 dias, sob risco de multa.

A investigação aponta Chaves Pinto como figura central em organização criminosa dedicada a fraudar licitações do Dnit-AP, com simulação de concorrência e direcionamento de contratos. Ele teria exercido influência institucional no órgão, valendo-se da posição de suplente de senador para suposto tráfico de influência.

Interceptações revelam contatos entre o superintendente do Dnit e representantes das empresas antes da publicação de editais. Em mensagem de 25 de outubro de 2023, o chefe do órgão agradece pelo aumento de recursos, creditando as “tratativas do nosso senador”. Em outro diálogo, ele pede que Chaves Pinto solicite a Davi Alcolumbre pressão no governo para liberação de empenhos.

Os contratos sob suspeita somam R$ 60,2 milhões e referem-se a pregões para manutenção e recuperação de trechos da BR-156, principal rodovia do Amapá, com 823 km entre Laranjal do Jari e Oiapoque. Auditorias da CGU detectaram lentidão nas obras, possível desvio de verbas e indícios de lavagem.

Em dezembro de 2022, Chaves Pinto já havia sido alvo de outra operação da PF, com apreensão de cerca de R$ 800 mil em espécie na sede de sua empresa, na mesma investigação sobre superfaturamento de R$ 6,1 milhões em obras rodoviárias e irregularidades na origem de madeira.

Procurado, o empresário afirmou que os saques visam pagamento de funcionários e prestadores de serviços. Ele destacou que o processo corre em segredo de Justiça e que manifestações da defesa ocorrem apenas nos autos.

Davi Alcolumbre declarou não ter qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente.

O Dnit informou colaborar com as apurações e repudiar práticas fraudulentas, contando com política antifraude e anticorrupção. O órgão afirmou que suas instâncias de integridade estão analisando os fatos para adotar medidas administrativas necessárias.

As investigações ocorrem em contexto de tensões políticas em Brasília. Nas últimas semanas, Alcolumbre expressou a interlocutores insatisfação com operações da PF no Amapá que envolvem pessoas próximas a ele, incluindo o suplente e apurações ligadas ao banco Master.



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