STF forma maioria para manter prisão de Daniel Vorcaro no caso Master

Segunda Turma do Supremo analisa medidas de Mendonça, incluindo detenção do banqueiro e de outros investigados; julgamento virtual segue até sexta-feira (20)
Por: Brado Redação 13.mar.2026 às 16h10
STF forma maioria para manter prisão de Daniel Vorcaro no caso Master
Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal consolidou maioria nesta sexta-feira (13) para confirmar a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master, determinada na terceira etapa da Operação Compliance Zero.

O julgamento ocorre no plenário virtual da Segunda Turma e tem prazo até a próxima sexta-feira (20) para conclusão dos votos. O ministro André Mendonça, atual relator do processo, foi o primeiro a se manifestar e votou pela manutenção das decisões que ele próprio havia tomado há cerca de um mês, ao assumir a relatoria.

Mendonça foi seguido pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Ainda falta o voto de Gilmar Mendes para definir o placar final.

Entre as medidas que o relator defendeu manter estão as prisões de:

- Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro;

- Marilson Roseno da Silva;

- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que faleceu logo após a prisão, segundo a Polícia Federal, em suposto suicídio.

No voto, Mendonça classificou o grupo investigado como uma “perigosa organização criminosa armada” que continua representando ameaça, mesmo com parte dos integrantes ainda em liberdade.

Ele rebateu teses apresentadas pela defesa de Vorcaro, especialmente quanto à análise de aparelhos celulares. O ministro explicou que as mensagens que fundamentaram a deflagração da terceira fase foram extraídas do primeiro celular apreendido em novembro, e que não é razoável aguardar a perícia completa de todos os dispositivos — ainda restam oito aparelhos para exame.

Mendonça destacou ainda mensagens trocadas no grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, negando que se tratasse de um grupo comum de rede social. Segundo ele, há registros de Daniel Vorcaro e Phillipi Mourão discutindo a inclusão de um policial federal no grupo de “milicianos”. O banqueiro teria comentado que “polícia às vezes não vai intimidar tanto”.

O relator reforçou que a estrutura criminosa permanece ativa em estado latente, com risco de obstrução às investigações, ocultação de patrimônio e articulação com agentes públicos.

O ministro Dias Toffoli, também integrante da Segunda Turma, declarou-se suspeito para julgar o caso a partir da terceira fase da operação. Ele informou suspeição por foro íntimo. Toffoli foi o relator original das apurações sobre fraudes bilionárias no banco Master, mas deixou o posto após relatório da Polícia Federal apontar conexões entre ele e Daniel Vorcaro. Além disso, Toffoli mencionou ser sócio de empresa familiar que vendeu parte de um resort no Paraná a fundos ligados à Reag, empresa com vínculos ao banqueiro.

Daniel Vorcaro permanece preso preventivamente desde 4 de março. Ele foi encaminhado à Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre período inicial de adaptação de 20 dias, durante o qual passou por corte de barba e cabelos.

A prisão foi decretada com base em elementos apresentados pela Polícia Federal, que indicaram risco concreto de interferência nas investigações. Há indícios de que o grupo continuava a agir para esconder recursos e manter contatos com autoridades.

As apurações revelaram ainda que a organização monitorava pessoas para acessar informações sigilosas de sistemas públicos, em benefício do núcleo chamado “A Turma”.

Além das prisões, Mendonça determinou o afastamento cautelar de dois diretores do Banco Central. De acordo com a PF, eles atuavam como consultores informais do banqueiro e recebiam vantagens indevidas.



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