BR-319 ainda tem trechos sem asfalto após meio século

Lula visita obras na rodovia amazônica e promete maior rigor ambiental do mundo para pavimentação em área sensível.
Por: Brado Jornal 27.mai.2026 às 10h26
BR-319 ainda tem trechos sem asfalto após meio século
Reprodução / Instagram
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou na terça-feira (26 de maio de 2026) as obras no trecho Charlie da BR-319, rodovia que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO). Inaugurada em 1972, a estrada permanece com longos trechos sem pavimentação, resultado de cinco décadas de embates jurídicos, ambientais e políticos.

Durante a inspeção, Lula afirmou que a conclusão da via será realizada com o maior cuidado ambiental possível. Ele ressaltou que a BR-319 não se trata de uma estrada comum, pois atravessa região de alta sensibilidade na Amazônia. “Estamos discutindo há meses qual o sistema de segurança ambiental mais seguro para autorizar as intervenções”, declarou o presidente.

A rodovia, com aproximadamente 885 km de extensão, representa a principal ligação terrestre de Manaus com o restante do Brasil. Seu asfaltamento começou em 2001, com 58 km a partir de Porto Velho e 100 km saindo de Manaus. O maior desafio concentra-se no “trecho do meio”, entre os quilômetros 250 e 655, que corta área preservada da floresta.

Nesse segmento, a resistência de ambientalistas, cientistas e órgãos de fiscalização é mais intensa. No período chuvoso, a estrada se transforma em lama, causando atolamentos frequentes e dificultando o tráfego.

Desde o início do atual governo, o Ministério dos Transportes defendeu a pavimentação como prioridade. Em 2024, o então ministro Renan Filho destacou a importância da obra para melhorar o escoamento e evitar problemas como a falta de oxigênio em Manaus durante a pandemia.

Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente, sob Marina Silva, manifestou preocupações e exigiu medidas para conter desmatamento, grilagem e ocupações irregulares ao longo da via. Em 2023, a criação de um grupo de trabalho no âmbito do Novo PAC sem incluir Ibama e MMA gerou tensão entre as pastas.

O impasse foi superado em julho de 2025 com um acordo entre os ministérios, resultando no Plano 319. O documento estabelece cronograma de ações de proteção ambiental e desenvolvimento local enquanto permite o avanço das obras.

Em 2026, o governo acelerou os procedimentos. Em abril, o DNIT publicou editais para melhorias no trecho do meio (km 250,7 a 590,1) e contratou projetos de restauração entre Manaus e o km 198. A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, com dispositivo que dispensa licença para manutenção de rodovias existentes, foi utilizada para agilizar o processo.

A visita de Lula reforça o compromisso do governo em concluir a ligação histórica, conciliando desenvolvimento regional com salvaguardas ambientais na Amazônia.


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