O Palácio do Planalto divulgou nota dura nesta sexta-feira contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro pela viagem aos Estados Unidos que resultou na classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo americano. A medida, anunciada na quinta-feira pelo Departamento de Estado, gerou forte reação do Executivo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou decepção com a decisão dos EUA, afirmando que os brasileiros não aceitam ser tratados de forma humilhante. As declarações foram feitas durante evento sobre investimentos da Petrobras em Sergipe. Para o governo, a iniciativa representa uma interferência inaceitável em assuntos internos do Brasil e pode abrir brechas para prejuízos à soberania, à economia e às ações de segurança pública.
A nota oficial qualifica a articulação como deplorável e aponta que integrantes da família Bolsonaro pressionaram autoridades americanas, como Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, para adotar a medida. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, esteve na Casa Branca e pediu explicitamente a inclusão das facções na lista de terroristas. O Planalto associa essa postura a tentativas anteriores de solicitar sanções externas contra o Brasil.
O texto alerta que decisões unilaterais, sem negociação prévia, podem comprometer o compartilhamento de inteligência entre forças policiais, enfraquecer o combate ao crime organizado e gerar impactos negativos no sistema financeiro, especialmente no PIX. “Medidas assim colocam em risco a vida de inocentes e podem trazer prejuízos econômicos ao país”, afirma a nota.
O governo ressalta que o Brasil já trava uma batalha permanente contra essas organizações criminosas, que atuam motivadas por lucro por meio do tráfico de drogas e armas, e não por ideologia política ou religiosa, como ocorre no terrorismo internacional. Recentemente, o Congresso aprovou lei que endurece as punições contra facções e milícias, com penas que podem chegar a 80 anos de prisão. Além disso, o programa “Brasil contra o Crime Organizado” atua desde o nível das ruas até as estruturas superiores das quadrilhas.
Apesar das críticas, o Executivo reafirma a disposição para parcerias com os Estados Unidos e outros países no combate ao crime transnacional. Em abril, o Brasil apresentou proposta formal ao Departamento de Estado para ampliar a cooperação em inteligência, controle de lavagem de dinheiro e tráfico de armas. “Qualquer colaboração bem-vinda será aceita, mas não admitimos medidas arbitrárias que violem nossa soberania”, diz o documento.
O Planalto defende que cabe exclusivamente aos brasileiros, por meio de suas instituições e leis, definir como enfrentar o crime em território nacional. O episódio reforça as tensões entre o atual governo e a oposição bolsonarista, que busca apoio externo para pressionar o Executivo.
A decisão americana ainda será monitorada quanto a possíveis consequências práticas para o Brasil, especialmente no campo econômico e de cooperação policial. O governo mantém tom firme na defesa da autonomia nacional diante de qualquer interferência estrangeira.
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