Em evento realizado nesta terça-feira (2) em Catalão, interior de Goiás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou tom eleitoral e criticou duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lula associou o pré-candidato à Presidência à proposta americana de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, chamando-o de “imbecil” por ter viajado aos Estados Unidos para pedir medidas contra o governo petista.
Segundo o presidente, Flávio teria pedido a Donald Trump que aplicasse as tarifas para prejudicá-lo politicamente. “Ele foi pedir arrego. ‘Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula’... Imbecil. Ele não prejudica o Lula, prejudica o povo brasileiro, os empresários e o agronegócio”, afirmou Lula.
O mandatário também classificou os filhos de Jair Bolsonaro como “vendilhões da pátria” e “traidores” por supostamente buscarem interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil. A declaração ocorreu horas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação das sobretaxas, com base em investigação da Seção 301.
Lula lembrou da reunião que teve com Trump no mês passado e disse ter combinado um prazo de 30 dias para que as equipes técnicas dos dois países tentassem resolver as divergências comerciais. “Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, relatou. Ele mencionou ter entregado dados sobre minerais críticos e criticou o secretário de Estado Marco Rubio, ausente no encontro bilateral.
O presidente contrapôs a notícia negativa com um avanço nas relações com a China, que reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação. Isso deve ampliar as exportações de carne para o mercado chinês. “Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro”, disse Lula, sinalizando busca por novos parceiros comerciais.
A estratégia do Palácio do Planalto é reforçar o ataque à família Bolsonaro, visto como ganho político em ano eleitoral. Ministros consideram a medida americana um “presente” para Lula, pois gera impacto concreto na economia e permite culpar a oposição. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou em entrevista que pediu expressamente a Trump, JD Vance e Marco Rubio que poupassem as empresas brasileiras das tarifas.
O governo brasileiro avalia a proposta como politicamente motivada e sem sólido fundamento técnico. Uma reunião de emergência foi convocada no Planalto com ministros da área econômica para alinhar a resposta. O processo americano ainda prevê consulta pública e decisão final até meados de julho.
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