Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apresentou uma nova versão de delação premiada em que afirma não ter ocorrido qualquer irregularidade na relação com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o documento, os repasses feitos pelo banco ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, referem-se exclusivamente a contratos lícitos de prestação de serviços.
Na proposta entregue no início deste mês, o ex-banqueiro detalhou um acordo de R$ 129 milhões assinado com o escritório, que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões. Um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, foi discutido para antecipar os valores totais antes da liquidação do banco pelo Banco Central em 2025, mas não foi formalizado. Ao todo, o Master repassou R$ 80,2 milhões antes da intervenção.
Tanto nesta quanto na versão anterior da colaboração, o trecho sobre Moraes aparece como um “anexo negativo”. Nele, Vorcaro esclarece que o ministro não praticou qualquer ato ilegal, não ofereceu contrapartidas e não realizou qualquer favor em troca dos pagamentos, que teriam sido feitos por serviços advocatícios prestados.
A Polícia Federal avaliou a nova proposta como fraca e insuficiente. Os investigadores consideram que o delator traz poucos elementos novos em comparação com as provas já coletadas e que ele não assume responsabilidade por grande parte dos crimes investigados. Diante disso, a PF deve recusar pela segunda vez a colaboração, conforme informações publicadas pela Folha de S.Paulo.
A Procuradoria-Geral da República ainda deve decidir até o final da semana se segue com as negociações, aceita ou rejeita o acordo. A posição da PF não impede necessariamente que a PGR prossiga.
Relatos de mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes também são mencionados no contexto. Antes de ser preso em novembro de 2025, o ex-banqueiro enviou mensagens ao ministro questionando se ele havia conseguido bloquear alguma medida contra o banco. A PF suspeita de vazamento prévio da ordem de prisão e da liquidação do Master. Moraes negou ter recebido as mensagens de visualização única.
No geral, os investigadores veem limitações na delação, inclusive quanto à capacidade de Vorcaro ressarcir os cerca de R$ 60 bilhões estimados em desvios do banco. Essa discussão sobre reparação só avançaria caso o conteúdo da colaboração seja considerado válido.
A proposta mantém o foco em inocentar o ministro Alexandre de Moraes de qualquer envolvimento irregular, reforçando a versão de que os contratos foram puramente comerciais.
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