O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente nesta quinta-feira (11) a estratégia do governo norte-americano para impor tarifas sobre produtos brasileiros. Durante evento em Brasília sobre cooperação amazônica, ele afirmou que Washington recorre a informações distorcidas para defender medidas protecionistas.
Lula comparou a atual disputa comercial a um episódio anterior envolvendo balança comercial. Segundo ele, os Estados Unidos alegaram inicialmente um déficit que, na realidade, era superávit. Agora, o mesmo padrão se repetiria com números sobre desmatamento para embasar uma taxa de 25% sobre exportações do Brasil em 2026.
O mandatário destacou que o país tem avançado significativamente na proteção da floresta. Dados divulgados pelo sistema Deter indicam queda de 64,1% no desmatamento na Amazônia em maio de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Lula prometeu encaminhar esses números ao representante comercial americano, Jamieson Greer, para contestar as justificativas apresentadas.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reforçou que as estatísticas são transparentes e de domínio público. Ele explicou que o governo brasileiro monitora o tema de forma contínua, independentemente de pressões externas. Capobianco lembrou ainda que informações do Prodes, o principal sistema oficial de acompanhamento, já foram compartilhadas em reuniões técnicas realizadas em Washington.
Em seu pronunciamento, o presidente brasileiro enfatizou o esforço nacional para alcançar desmatamento zero até 2030. “Não existe outro país que trate essa questão com a seriedade que o Brasil demonstra”, declarou. Ele minimizou o confronto como uma mera guerra de narrativas, afirmando que Donald Trump foi escolhido pelos americanos para liderar os Estados Unidos, e não para ditar regras ao resto do mundo.
Lula defendeu uma relação baseada em respeito mútuo. “Não buscamos conflito. Queremos igualdade, civilidade e um comércio que beneficie o desenvolvimento de ambas as nações”, completou.
A proposta de tarifas surge após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acusar o Brasil de práticas comerciais desleais. A medida, caso confirmada, afetaria diversos setores exportadores brasileiros. O governo petista, no entanto, apresenta os avanços ambientais como contraprova robusta contra as alegações norte-americanas.
A apresentação ocorreu no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), reforçando o compromisso regional com a preservação. Autoridades brasileiras pretendem usar os dados oficiais nas negociações diplomáticas para evitar ou mitigar as restrições comerciais.
Essa postura reflete a estratégia de Lula de combinar defesa ambiental com argumentos econômicos, buscando manter canais abertos de diálogo apesar das tensões. O episódio ilustra as complexas relações entre os dois maiores economias do continente, onde questões ambientais servem agora como moeda de troca em disputas comerciais.
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