Um dia após o Supremo Tribunal Federal condená-lo a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes sociais no qual solicita ao presidente americano Donald Trump a reimposição de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.
No material publicado em inglês no X, com duração superior a cinco minutos, Eduardo se declara orgulhoso de sua atuação nos Estados Unidos em defesa do Brasil e acusa Moraes de violar direitos humanos. Ele pediu expressamente a retomada da Lei Magnitsky, ferramenta usada para punir autoridades estrangeiras por abusos.
“Não deixem que um ditador como Alexandre de Moraes tome conta do país. Presidente Trump, por favor, retome a Lei Magnitsky. Esses caras são violadores de direitos humanos”, afirmou o ex-parlamentar. Ele alertou ainda que uma eventual volta de uma administração de esquerda nos EUA poderia resultar em perseguição contra Trump e sua equipe.
A condenação, decidida por unanimidade, decorre de acusações de que Eduardo tentou coagir ministros do STF e articulou sanções internacionais contra o Judiciário brasileiro para interferir no julgamento da trama golpista — caso em que seu pai, Jair Bolsonaro, recebeu pena de 27 anos de prisão. Além da prisão, o ex-deputado foi multado em 100 salários mínimos, declarado inelegível por oito anos e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal.
Eduardo sustenta que a decisão representa retaliação política por seu trabalho junto a autoridades americanas, incluindo contatos no Congresso e na Casa Branca. Ele questionou a validade do processo, alegando ausência de notificação oficial por carta rogatória, apesar de seu endereço ser público. Segundo ele, tomou conhecimento da condenação apenas pela imprensa e pelas redes sociais.
O ex-deputado também comparou sua situação com a de outros aliados bolsonaristas que vivem no exterior e não foram extraditados, citando Carla Zambelli na Itália, Oswaldo Eustáquio na Espanha, Allan dos Santos nos EUA e mais de 60 brasileiros na Argentina. Para ele, isso demonstra que outros países não reconhecem as ações de quem chamou de “ministro louco”.
No vídeo, Eduardo projetou ainda uma vitória eleitoral de seu irmão Flávio Bolsonaro em outubro, capaz de restaurar alianças internacionais e conceder indulto a ele e ao pai por “crimes que não cometeu”.
A sentença mantém o foco no crime de coação no curso do processo, distinguindo-o de ameaça direta a julgadores. O ministro Alexandre de Moraes, em seu voto, reforçou que não há confusão entre vítima e julgador, pois a vítima é a própria administração da justiça.
O episódio reforça as tensas relações entre o clã Bolsonaro e o Supremo, com Eduardo posicionando sua atuação internacional como motivo central da punição. Até o momento, não há manifestação oficial da Casa Branca sobre o apelo.
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