Em uma postagem no X (antigo Twitter) nesta quarta-feira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher, respondeu duramente às críticas do jornalista e ativista conservador Allan dos Santos.
No texto, Michelle classifica as acusações de "levianas e injustas", acusando Allan de atuar como "ventríloquo" de interesses ocultos e de promover ataques contra mulheres e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A resposta surge em meio a uma crescente tensão no campo bolsonarista, agravada pela prisão de Bolsonaro e pelas discussões sobre a sucessão presidencial para as eleições de 2026.
A polêmica ganhou força após Michelle repostar um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre questões econômicas, e curtir um comentário da esposa dele, Cristiane Freitas, que mencionava a necessidade de um "novo CEO" para o Brasil.
Muitos interpretaram o gesto como um endosso velado à candidatura de Tarcísio à Presidência, em detrimento de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e indicado por ele como possível sucessor.
Allan dos Santos, exilado nos Estados Unidos e foragido da Justiça brasileira, criticou publicamente a ação de Michelle, alegando que ela estaria sabotando o legado bolsonarista e priorizando articulações políticas pessoais.
No post, Michelle esclarece que o repost foi motivado por concordância com o conteúdo econômico do vídeo, que considera "relevante para o povo". Ela enfatiza que suas viagens pelo país, incluindo eventos do PL Mulher, são realizadas a pedido do marido, com o objetivo de "manter o legado dele vivo, denunciar as perseguições e manter o povo com esperança".
A ex-primeira-dama rebate as insinuações de Allan sobre sua intimidade familiar, afirmando que ele "não sabe o que eu e meu marido conversamos" e que suas opiniões são independentes, sem interferência até mesmo de Bolsonaro, a quem carinhosamente chama de "meu galego dos olhos azuis".
Michelle também aborda a curtida no comentário de Cristiane Freitas, interpretando-o não como uma indicação de Tarcísio como "CEO", mas como uma chamada genérica por um novo governante, "preferencialmente, Jair Bolsonaro". Ela finaliza o texto com uma nota de compaixão, dizendo que continua orando por Allan e sua família, vítimas de "perseguição implacável", mas ressalta que isso não justifica os ataques contra ela, que também enfrenta adversidades ao lado do marido.Contexto da ControvérsiaA troca de farpas entre Michelle e Allan não é isolada. Em dezembro de 2025, Allan já havia criticado a ex-primeira-dama durante uma transmissão no YouTube, afirmando que ela estava "viajando o Brasil inteiro como se o Bolsonaro já estivesse morto" e "cagando para o Bolsonaro".
Ele questionou a ausência de Michelle em Brasília no momento da prisão do ex-presidente, em novembro de 2025, e alegou que suas articulações políticas não tinham aval dos filhos de Bolsonaro.
Na ocasião, Michelle respondia a uma crise interna no PL, após condenar uma possível aliança regional com o ex-governador Ciro Gomes (PDT) no Ceará, o que gerou atritos com os bolsonaristas mais radicais.
Jair Bolsonaro cumpre prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde novembro de 2025, condenado por envolvimento em uma suposta trama golpista.
Inelegível até 2030, ele indicou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em 2026, mas figuras como Tarcísio de Freitas emergem como alternativas no campo da oposição.
Allan dos Santos, fundador do portal Terça Livre e aliado histórico do bolsonarismo, tem usado suas plataformas para defender Flávio e atacar quem considera traidores do movimento, incluindo Michelle.
A resposta de Michelle gerou reações mistas nas redes sociais.
Alguns bolsonaristas a defenderam, elogiando sua lealdade e independência, enquanto outros a criticaram por não declarar apoio explícito a Flávio e por supostamente priorizar Tarcísio.
O episódio expõe rachas no bolsonarismo, com disputas por poder e influência em um momento de vulnerabilidade para o movimento, marcado pela prisão de seu líder principal.
Especialistas apontam que Michelle, com sua popularidade entre evangélicos e mulheres conservadoras, posiciona-se como uma figura central no PL, potencial candidata ao Senado ou até à Vice-Presidência.
No entanto, as críticas de Allan e dos filhos de Bolsonaro destacam tensões familiares e ideológicas que podem impactar as estratégias eleitorais da direita para 2026.
A polêmica continua a reverberar, com ambos os lados invocando valores como liberdade, lealdade e resistência à "perseguição" do sistema judiciário.
Veja abaixo o post completo da Ex-primeira-dama:
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