Portugal terá segundo turno nas eleições presidenciais pela primeira vez em 40 anos

António José Seguro e André Ventura avançam para a decisão em 8 de fevereiro; Ventura obtém expressivo 23,5% e consolida avanço da direita
Por: Brado Jornal 19.jan.2026 às 06h28
Portugal terá segundo turno nas eleições presidenciais pela primeira vez em 40 anos
Foto: Tiago Petinga / EFE
Portugal vai conhecer seu novo presidente somente após segundo turno, marcado para 8 de fevereiro. Pela primeira vez desde 1986, nenhum candidato alcançou maioria absoluta no primeiro turno realizado neste domingo (18), forçando a disputa decisiva entre os dois mais votados: o ex-secretário-geral do Partido Socialista António José Seguro, que liderou com 31,11% dos votos, e o líder do Chega André Ventura, que surpreendeu com 23,52%.

Com praticamente todos os votos apurados (dados consolidados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna), Seguro obteve cerca de 1.754.895 votos, enquanto Ventura conquistou 1.326.644. Em terceiro lugar ficou João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal), com 16%, seguido por Henrique Gouveia e Melo (independente, 12,3%) e Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD, 11,3%). Os demais candidatos não ultrapassaram 2%.

O resultado representa um marco histórico para a direita radical portuguesa. André Ventura, que fundou o Chega em 2019 e transformou o partido de um único deputado para a segunda maior força política nacional (com 60 parlamentares após as legislativas de 2025), igualou desempenhos de populistas europeus como Marine Le Pen na França em 2022. Seu discurso focado em segurança pública, imigração, valores tradicionais e críticas às elites políticas mobilizou eleitores descontentes, especialmente em regiões do interior e entre jovens.

Ventura declarou-se “líder da direita” e usou o resultado para reforçar sua narrativa: “Salvar Portugal” continua sendo o lema central, com promessas de endurecimento penal e deportações para imigrantes que cometam crimes. Críticos classificam o Chega como extrema-direita, rótulo rejeitado pelo partido, que se define como “direita autêntica”.

Do lado oposto, António José Seguro, ex-ministro e ex-líder do PS, enfatizou a natureza independente de sua candidatura e convidou “todos os democratas, progressistas e humanistas” a unirem forças contra “o extremismo” e “quem semeia ódio e divisão”. Ele aposta na rejeição a Ventura no segundo turno para consolidar a vitória.

O contexto político é de alta tensão: o presidente português atua como árbitro institucional, com poderes para vetar leis, dissolver o Parlamento e convocar eleições, mas sem executivo direto. A eleição ocorre após a queda do governo de Luís Montenegro (Aliança Democrática, centro-direita), com legislativas antecipadas marcadas para março. Marcelo Rebelo de Sousa encerra o segundo mandato sem possibilidade de reeleição.

A abstenção, tradicionalmente alta nas presidenciais, não impediu o avanço surpreendente de Ventura, que capitalizou o descontentamento com a classe política tradicional. Analistas apontam que o segundo turno pode polarizar ainda mais o país, com impactos simbólicos na Europa e atenção em Brasília devido a possíveis efeitos migratórios e diplomáticos.

A posse do vencedor está prevista para 9 de março. A campanha para o segundo turno já começou, com foco em mobilização e rejeição ao adversário.


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