Trump diz não se sentir mais obrigado a premiar apenas a paz em carta ao Comitê Nobel da Noruega

Presidente americano critica Nobel da Paz como “politicamente enviesado” e sugere que o prêmio deveria reconhecer “força, coragem e resultados reais”; carta foi enviada após anúncio do vencedor de 2025
Por: Brado Jornal 19.jan.2026 às 09h02
Trump diz não se sentir mais obrigado a premiar apenas a paz em carta ao Comitê Nobel da Noruega
Foto: Getty Images
O presidente Donald Trump enviou uma carta ao Comitê Nobel Norueguês na qual afirma que não se sente mais “obrigado a pensar apenas na paz” ao avaliar quem merece o Prêmio Nobel da Paz.
A mensagem, tornada pública nesta segunda-feira (19) pelo próprio Trump em sua rede Truth Social, representa uma crítica direta ao formato tradicional do prêmio e reforça sua visão de que conquistas baseadas em “força, determinação e resultados concretos” deveriam ser mais valorizadas do que esforços diplomáticos convencionais.

Na carta, Trump escreveu: “Por muitos anos, o Nobel da Paz foi dado a pessoas que falam bonito sobre paz, mas não entregam nada de concreto. Eu não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz quando vejo o que realmente move o mundo: força, coragem e resultados reais.
O mundo mudou, e o prêmio precisa mudar junto”.O texto chega dias após o anúncio do vencedor do Nobel da Paz de 2025, o Comitê optou por premiar um coletivo de jornalistas investigativos de vários países por “defesa da verdade em tempos de desinformação”.
Trump, que já havia sido cotado em anos anteriores mas nunca recebeu a honraria, usou a ocasião para questionar o critério de seleção, chamando-o de “politicamente enviesado” e “desconectado da realidade”.

O presidente americano citou exemplos indiretos de suas próprias ações internacionais, como acordos de paz no Oriente Médio (Acordos de Abraão), pressão sobre a Coreia do Norte e negociações recentes sobre a Ucrânia, como casos que, segundo ele, mereceriam reconhecimento, mas que foram ignorados pelo comitê. “Eles premiam quem fala de paz, mas eu entrego paz. Isso não é justo”, afirmou.

A carta foi enviada ao Comitê Nobel Norueguês, responsável pela escolha do Prêmio da Paz (diferentemente dos outros prêmios, decididos na Suécia).
O comitê não costuma responder publicamente a críticas ou cartas de chefes de Estado, mas fontes próximas à instituição em Oslo afirmam que o conteúdo foi recebido “com atenção” e será considerado internamente, sem expectativa de alteração nos critérios.

A reação nas redes sociais foi imediata e polarizada. Apoiadores de Trump elogiaram a “coragem” de confrontar o que chamam de “elitismo europeu”, enquanto críticos acusaram o presidente de desrespeitar a tradição do prêmio e de tentar politizá-lo ainda mais.
Alguns analistas apontam que a declaração se encaixa na estratégia de Trump de questionar instituições internacionais tradicionais, alinhando-se a críticas semelhantes feitas a ONU, OMS e outros organismos.

Até o momento, Trump não detalhou se pretende propor formalmente mudanças nos critérios do Nobel ou se a carta foi apenas uma manifestação pessoal. A Presidência dos EUA não emitiu nota oficial sobre o assunto, mas a publicação na Truth Social indica que a mensagem foi intencionalmente divulgada para amplo alcance.

O Prêmio Nobel da Paz de 2025 será entregue em cerimônia em Oslo no dia 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel. O vencedor deste ano já foi anunciado, mas a polêmica levantada por Trump reacende debates recorrentes sobre o viés ideológico percebido no comitê norueguês. 


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