Durante evento no Instituto Butantan, em São Paulo, nesta segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez gracejos sobre o encontro que terá com Donald Trump em março e afirmou que o líder americano pensaria duas vezes antes de provocar o Brasil caso soubesse da “sanguinidade de Lampião” presente em um presidente brasileiro.
Com tom descontraído, Lula declarou: “Eu sou muito teimoso e muito tinhoso. Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião em um presidente, ele não ficaria provocando a gente”. Na sequência, o petista brincou ainda mais: “Eu não sou doido. Vai que eu brigo e eu ganho, o que vou fazer?”.
Ele deixou claro que não tem interesse em qualquer tipo de confronto com os Estados Unidos. Segundo Lula, o foco do Brasil está na construção de uma narrativa que valorize o multilateralismo. “Não nos interessa o unilateralismo nem a ideia de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco”, enfatizou.
A relação entre os dois presidentes evoluiu nos últimos meses. Inicialmente, Trump – que mantém alinhamento político com Jair Bolsonaro (PL) – criticava o tratamento dado ao ex-presidente brasileiro, que enfrentava julgamento por suposta participação em plano de golpe de Estado. Naquele período, a administração americana chegou a anunciar tarifa extra de 40% sobre produtos importados do Brasil.
A partir daí, o diálogo se intensificou. Em outubro, os dois tiveram o primeiro contato telefônico. Logo depois, se reuniram na Malásia para discutir as taxas impostas ao país. Em dezembro, Lula telefonou novamente a Trump solicitando revisão das tarifas sobre exportações brasileiras. Já no fim de janeiro, outra conversa resultou no acordo para a visita do presidente brasileiro à Casa Branca, prevista para março.
Na sexta-feira (6), em outro evento, Lula já havia comentado a proximidade com o republicano, dizendo ser “amigo de Trump” e revelando que o presidente dos Estados Unidos costuma afirmar que foi “amor à primeira vista”. O petista lembrou ainda que, durante o encontro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 2025, os dois tiveram boa “química”.
Apesar das brincadeiras, a fala reforça a estratégia brasileira de manter canal aberto com Washington, priorizando negociação em vez de confronto, especialmente em temas comerciais e diplomáticos.
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