Uma turista de 50 anos oriunda do Rio Grande do Sul foi detida em Salvador sob acusação de injúria racial após agredir verbalmente e cuspir em uma comerciante ambulante negra. O incidente aconteceu na Praça das Artes, no Pelourinho, durante a realização de um evento cultural gratuito.
A vítima, Hanna, que atuava no bar montado no local, relatou que o conflito começou após uma venda. Ao retirar um balde de um cliente, ela passou perto da suspeita, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, que a chamou de “lixo”. Questionada, a turista repetiu o insulto e cuspiu na comerciante, acrescentando em seguida: “Eu sou branca”.
Após o ataque, Gisele tentou sair do local, mas se envolveu em outras discussões e precisou ser contida por seguranças até a chegada da polícia. Agentes da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) efetuaram a prisão na quarta-feira (21 de janeiro).
Já na delegacia, a suspeita manteve comportamento discriminatório ao exigir ser atendida somente por um delegado de pele branca, segundo informações da investigação.
Gisele se apresenta nas redes sociais como criadora de conteúdo sobre viagens. Ela chegou a Salvador há cerca de uma semana e publicou diversos registros da estadia, incluindo participação na Lavagem do Bonfim, fotos ao lado de baianas tradicionais e de membros do bloco afro Filhos de Gandhy, além de imagens em apresentações de grupos como a Timbalada.
A equipe da Decrin realizou oitivas com envolvidos e testemunhas após o registro da ocorrência. A turista permanece sob custódia e à disposição da Justiça.
A legislação brasileira trata a injúria racial como crime de racismo, o que a torna inafiançável e imprescritível.
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