O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou em entrevista ao jornalista Andrés Oppenheimer, da CNN, veiculada em 10 de janeiro de 2026, que não pretende discutir a situação da Venezuela com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre a postura do Brasil diante da intervenção americana que removeu Nicolás Maduro do poder há uma semana, sob o governo de Donald Trump, Milei foi direto: “Não tenho nada a falar com Lula” sobre o assunto.
Ele endossou completamente a abordagem agressiva dos Estados Unidos contra o que chama de ditadura venezuelana, contrastando com o tom diplomático adotado pelo governo brasileiro. Milei classificou as ideias de Lula como resquícios do “socialismo do século 21” e expressou clara preferência por uma “solução com os Bolsonaro” no Brasil. O argentino destacou que, para ele, a eleição presidencial de 2026 no país vizinho se resume a duas opções principais: Lula ou Flávio Bolsonaro, manifestando apoio explícito ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Apesar das divergências ideológicas acentuadas, Milei ressaltou que diferenças políticas não precisam prejudicar as relações comerciais entre Argentina e Brasil, que considera benéficas para ambos os lados.
Flávio Bolsonaro reagiu positivamente ao apoio recebido, publicando nas redes sociais que vê sintonia com Milei na defesa da liberdade econômica e de uma integração regional baseada no mercado. O pré-candidato à Presidência projetou que, em um eventual governo seu a partir de 2027, seria possível avançar em parcerias concretas, como redução de barreiras comerciais, cooperação em energia e infraestrutura, além de uma reformulação pragmática do Mercosul.
As declarações ocorrem em um momento de atrito contínuo entre os dois países. Recentemente, o Itamaraty anunciou o fim da representação brasileira dos interesses argentinos na Venezuela, função exercida desde agosto de 2024, após o rompimento de relações entre Buenos Aires e Caracas, com a transferência da custódia da embaixada argentina para a Itália.
O contexto regional inclui a recente intervenção dos EUA na Venezuela, que Milei aplaude, enquanto Lula critica intervenções externas. Além disso, a União Europeia aprovou um acordo de livre-comércio com o Mercosul, após 25 anos de negociações, abrindo mercado para produtos sul-americanos e dependendo agora de ratificação final pelo Parlamento Europeu.
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