Trabalhadores rurais são resgatados na Bahia em condições análogas à escravidão

Empregador de 98 anos não comparece a audiência do Ministério do Trabalho
Por: Brado Jornal 25.fev.2025 às 07h35
Trabalhadores rurais são resgatados na Bahia em condições análogas à escravidão
Divulgação/MPT-BA

Três trabalhadores rurais foram resgatados em condições degradantes na zona rural de Serrinha, a cerca de 60 km de Feira de Santana, durante uma operação do Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA). Segundo os agentes, as vítimas viviam em uma situação semelhante à de escravidão moderna.

O resgate ocorreu na última quinta-feira (20) na fazenda Morrinhos, pertencente ao empregador Geraldo de Aragão Bulcão, de 98 anos. Ele era esperado nesta segunda-feira (24.fev) na Gerência Regional do Trabalho de Feira de Santana para discutir o pagamento das verbas rescisórias, mas não compareceu nem enviou representantes.

A fazenda Morrinhos, dedicada à criação de porcos, bois, ovelhas, galinhas e avestruzes, possui uma estrutura robusta e um grande plantel de animais. No entanto, segundo o MPT, os funcionários eram submetidos a condições indignas.

Durante a operação, dois trabalhadores foram encontrados aplicando agrotóxicos sem qualquer equipamento de proteção, enquanto o terceiro cuidava dos animais. Todos viviam em alojamentos improvisados, sem sanitário e sem acesso a água potável. A cozinha funcionava em uma baia ao lado do chiqueiro, exposta a forte mau cheiro.

Os funcionários trabalhavam sem registro formal e recebiam entre R$ 300 e R$ 500 por semana. Suas jornadas iam do amanhecer ao pôr do sol, todos os dias da semana, sem direito a descanso. Um dos resgatados relatou que, após cinco anos de serviço na fazenda, teve apenas um único dia de folga.

Após o resgate, os trabalhadores tiveram suas atividades imediatamente suspensas. Um deles já retornou para casa em Serrinha, enquanto os outros dois aguardam a quitação das verbas rescisórias para voltar ao município de Araçás. Eles também terão direito a seis parcelas do seguro-desemprego especial.

Diante da ausência do empregador na audiência de conciliação, o MPT e a Defensoria Pública da União (DPU) planejam apresentar uma proposta de termo de ajuste de conduta, que incluirá indenização por danos morais aos trabalhadores. Caso não haja acordo, uma ação civil pública poderá ser movida contra Geraldo de Aragão Bulcão.



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