O botijão de 13 quilos usado no fogão das casas baianas passa a custar mais a partir desta terça-feira, 1º de setembro. O acréscimo de 8% pode significar até R$ 10 a mais no bolso de quem precisa repor o produto e, em alguns pontos do estado, o preço pode se aproximar de R$ 160.
O valor cobrado não será o mesmo em todo o território. Distância, tipo de atendimento — se o cliente retira o produto no local ou solicita a entrega — e as despesas de cada ponto de venda pesam na formação do preço. Por isso, uma mesma cidade pode apresentar diferenças relevantes de um estabelecimento para outro.
Na capital, o cenário já era desigual antes da nova tabela. No fim de agosto, o botijão de 13 kg era encontrado em Salvador entre R$ 117 e R$ 155, conforme o ponto de comercialização. Com o reajuste, a faixa de preços sobe, e a recomendação prática permanece a mesma: comparar endereços e condições antes de fechar a compra.
A alta chega depois de dois meses em que o produto havia ficado mais barato. Em julho, a queda ficou em torno de 6,8%, e o consumidor economizou cerca de R$ 5. Em agosto, houve outra redução, de 7,1%, que tirou entre R$ 3 e R$ 4 do valor pago. O movimento de setembro interrompe essa sequência e volta a pressionar o orçamento doméstico.
O principal fator apontado para o novo patamar é o dissídio coletivo da categoria que trabalha no setor. O reajuste salarial eleva o custo da mão de obra e se espalha pelas demais despesas das empresas. Transporte, armazenagem, logística, manutenção das instalações e a própria distribuição do gás entram na conta e ajudam a explicar por que o percentual anunciado não se traduz em um único preço nas prateleiras.
Na cozinha brasileira, o botijão ainda é um item essencial. Grande parte das famílias cozinha diariamente com GLP e não tem uma alternativa imediata, especialmente em bairros e municípios onde a rede de gás encanado não chega. Cada real a mais no cilindro compete com alimentação, transporte e outras contas fixas. Quando o produto sobe depois de uma breve folga, o impacto é sentido logo no próximo pedido.
A variação geográfica reforça essa desigualdade. Interior e capital não compartilham os mesmos custos de frete. Entregar em áreas mais distantes ou de acesso difícil encarece a operação. Revendas menores, com volume reduzido de vendas, também diluem menos as despesas fixas. O resultado é um leque de preços que pode ir de valores relativamente próximos aos de agosto até patamares próximos de R$ 160 em algumas localidades.
Quem compra com entrega em domicílio costuma pagar mais do que quem vai até o ponto de venda. A diferença já existia e tende a se manter depois do reajuste. Por isso, o hábito de ligar para mais de um fornecedor ou consultar tabelas locais continua sendo a forma mais direta de reduzir o gasto.
O gás de cozinha tem histórico de oscilação ao longo de 2026 no estado. Altas em meses anteriores, ligadas a mudanças na refinaria e a outros custos da cadeia, já haviam elevado o patamar em relação ao fim de 2025. As quedas de julho e agosto aliviaram um pouco a curva. O movimento que entra em vigor agora recoloca o produto em trajetória de alta, ainda que o percentual de 8% e o teto de cerca de R$ 10 por botijão não sejam aplicados de maneira idêntica em todas as revendas.
Para o consumidor, a mensagem prática é simples. O anúncio de aumento médio não significa que todos pagarão o mesmo valor. Pesquisar, perguntar se há diferença entre retirada e entrega e verificar o preço no próprio bairro pode evitar que o reajuste chegue ao teto estimado. Em um item de uso contínuo, a diferença de alguns reais se acumula ao longo dos meses.
O cilindro de 13 kg permanece o formato mais comum nas residências. Restaurantes, lanchonetes e outros estabelecimentos que utilizam volumes maiores sentem o mesmo movimento na cadeia, mas o efeito mais visível no cotidiano é o da família que troca o botijão a cada poucas semanas. Quando o preço sobe, o intervalo entre uma compra e outra não muda — apenas o valor desembolsado.
A composição do preço final mistura fatores que o cliente não controla. Salários da categoria, combustível do caminhão que faz a entrega, aluguel e manutenção do pátio de armazenamento, tributos e a margem de cada elo da distribuição. O dissídio coletivo é o gatilho destacado desta vez, mas ele se soma a uma estrutura de custos que já era elevada.
Depois de uma breve trégua no meio do ano, o gás volta a pesar mais no bolso dos baianos a partir de hoje. O percentual de 8% e a possibilidade de o botijão alcançar cerca de R$ 160 em algumas regiões marcam o início de setembro nas cozinhas do estado. A única variável que o comprador ainda consegue manejar é a escolha do ponto de venda e da forma de recebimento. Comparar continua sendo a defesa mais imediata contra o reajuste.
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