Na noite de quarta-feira (07), Heloísa de Carvalho Martin Arribas, filha do escritor Olavo de Carvalho (1947-2022), foi encontrada morta em sua casa em Atibaia, no interior de São Paulo.
Um amigo descobriu o corpo e acionou a Polícia Civil, que registrou a ocorrência por volta das 22h52, permanecendo no local até as primeiras horas da madrugada.
O corpo estava deitado na cama, em posição dorsal.
Perto dele, os policiais localizaram um copo com resíduo de líquido alaranjado. Na cozinha, havia uma lata de cerveja aberta, duas garrafas vazias de bebida alcoólica, uma garrafa de água com traços de uma substância branca semelhante a remédio, além de dois frascos vazios de Epilenil (anticonvulsivante à base de valproato de sódio) e um de Nistatina pela metade.
De acordo com o boletim de ocorrência, Heloísa havia sido atendida no hospital no dia anterior por suspeita de intoxicação medicamentosa, mas recebeu alta rapidamente. A hipótese preliminar das autoridades é de suicídio, embora a causa definitiva dependa do resultado da necrópsia e de outras perícias. Diante do contexto político polarizado e das inimidades acumuladas por ela, a investigação promete ser detalhada.Relação conflituosa com o paiHeloísa mantinha uma relação marcada por conflitos com o professor e filósofo Olavo de Carvalho. Com posições políticas opostas (ela já foi filiada ao PT), foi a única dos filhos excluída do testamento do pai após sua morte em 2022.
Em entrevista anterior à Revista Fórum, ela reagiu com ironia à exclusão: “Já esperava por isso”. Destacou que sempre trabalhou para se sustentar, ao contrário de alguns irmãos, e não dependia da herança. Como advogada, abriu o inventário e mencionou possíveis direitos sobre royalties de livros editados no Brasil e um seguro de vida que Olavo não alterou. Mesmo assim, afirmou não contar com o dinheiro, preferindo que parte fosse usada para indenizar Caetano Veloso em processo movido pelo pai desde 2017.
Em 2017, Olavo chegou a registrar queixa-crime contra a filha, alegando participação em suposta organização para difamá-lo, mas o caso foi arquivado.Denúncia que levou à prisão de QueirozHeloísa ganhou notoriedade em 2020 ao ajudar a revelar o esconderijo de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado por esquema de rachadinhas. Foragido, ele foi preso em uma propriedade de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, justamente em Atibaia.
Junto com o amigo Bruno Maia (ex-candidato pelo PSOL), ela publicou fotos da casa nas redes sociais em maio de 2020 e informou o Ministério Público. Heloísa disse ter recebido a dica de um jornalista e saber do paradeiro desde 2019. Após a prisão, os dois celebraram com suco de laranja em frente ao imóvel, em alusão ao esquema investigado.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...