O advogado Walfrido Warde deixou nesta quarta-feira (21) a equipe de defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. A saída ocorre no contexto de rumores sobre uma possível delação premiada do empresário.
Warde, especialista em litígios empresariais e autor do livro “O Espetáculo da Corrupção” (2018), é conhecido por críticas à delação premiada. Em 2022, durante live no portal ConJur, ele comparou o mecanismo a uma forma de “tortura psicológica” associada à Operação Lava Jato, afirmando: “A Operação Lava Jato se mostrou eficiente na detecção da corrupção com o acoplamento de prisão cautelar longa e delação premiada, em um contexto de tortura psicológica”. Ele defendeu a necessidade de regulação específica para o instituto.
O escritório Warde Advogados atuava na frente regulatória, buscando paralisar ou reverter a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central. Vorcaro continua defendido por outros escritórios, incluindo os de Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Sérgio Leonardo, criminalistas com experiência em casos de grande repercussão, como a Lava Jato.
A defesa de Vorcaro emitiu nota negando qualquer negociação de delação: “Nega com veemência a existência de qualquer proposta ou negociação de delação premiada. Essa informação não corresponde à realidade e não foi objeto de tratativa formal ou informal por parte do Sr. Vorcaro ou de seus advogados”. A nota reforça que o empresário “reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal”.
Os rumores ganharam força após a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 14 de janeiro, com buscas em residências de familiares de Vorcaro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Vorcaro responde por acusações relacionadas a fraudes bilionárias no sistema financeiro.
A saída de Warde, crítico ferrenho da delação, alimenta especulações sobre divergências internas na estratégia de defesa, embora a nota oficial não mencione motivos específicos. O empresário segue preso preventivamente, e as investigações continuam em andamento.
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